Nelson Almeida/ AFP
Nelson Almeida/ AFP

Dois milhões de doses da vacina de Oxford chegam aos Estados até domingo, diz Pazuello

Amazonas terá prioridade em razão da situação considerada crítica; governo vai enviar 5% das doses para Manaus

Pedro Caramuru, João Prata e Fabio Grellet, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2021 | 20h52
Atualizado 23 de janeiro de 2021 | 00h39

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informou na noite desta sexta-feira, 22, que as vacinas de Oxford/AstraZeneca que chegaram ao País nesta tarde começarão a ser distribuídas aos Estados neste sábado, 23, no fim do dia. O prazo dado pelo ministro é que, em 24 horas após o início da distribuição, as doses cheguem a todos os Estados. Em razão da situação considerada crítica, o Amazonas terá prioridade.

A declaração foi dada pelo ministro a cinegrafistas que acompanhavam o desembarque dos dois milhões de doses importadas da Índia. Os jornalistas não foram autorizados a acompanhar o pronunciamento. O ministro então citou um acordo firmado entre os governadores de destinar 5% da carga para o Amazonas, que vive uma situação de desabastecimento de oxigênio, o que tem levado o Estado a transferir pacientes para outras regiões do País. 

“A Fiocruz preparará amanhã a etiquetagem e lote das vacinas. Vamos priorizar o Amazonas que vive situação mais difícil. Cinco por cento para Manaus. Nosso país jamais será dividido. Todos receberão suas vacinas no período de 24 horas após início da distribuição", disse o ministro. 

Os dois milhões de doses de vacinas contra o coronavírus compradas pelo governo brasileiro do Instituto Serum, da Índia, chegaram às 22h desta sexta-feira, 22, à base aérea anexa ao aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador (zona norte do Rio), trazidas em avião que partiu do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

No Rio, Pazuello disse que "rapidamente" o Brasil deve conseguir imunizar oito milhões de pessoas contra o coronavírus e, então, passará a ser o segundo país do Ocidente com mais pessoas vacinadas no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

"Esse processo começou em junho. Esses dois milhões de doses são apenas o início. Estamos negociando receber mais doses agora, no começo de fevereiro, e o IFA (ingrediente farmacêutico ativo), para a produção nacional de 15 milhões de doses por mês. A encomenda tecnológica prevê 100 milhões de doses para o primeiro semestre", afirmou o ministro.

Para a presidente da Fiocruz, Nisia Trindade, a chegada da vacina representa "uma mensagem de esperança que vem da ciência" no combate à pandemia de coronavírus. "A vacina pode ser comparada, na história do mundo, à água potável para a saúde das populações", afirmou.

As doses serão encaminhadas à sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos (zona norte do Rio), onde serão conferidas e etiquetadas em português, ao longo da madrugada deste sábado, 23, para que à tarde sejam despachadas para os Estados, onde serão distribuídas. Elas foram desenvolvidas pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca e precisam ser conservadas sob temperatura entre 2°C e 8°C.

As doses ficarão armazenadas em um depósito da Fiocruz antes de serem distribuídas a Estados e municípios. Elas integram a primeira rodada de aplicações do Plano Nacional de Imunização (PNI) que conta, até o momento, com a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de aplicação de 12,8 milhões de doses.

Também acompanharam o chegada das vacinas os ministros das Comunicações, Fábio Faria, e das Relações Internacionais, Ernesto Araújo.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.