Dono de empresa importadora de lixo se apresenta à PF

Empresário afirma não ser importador da carga dos contêineres contendo lixo hospitalar

Angela Lacerda,

19 de outubro de 2011 | 21h30

 SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE - O dono da empresa Na Intimidade, de Santa Cruz do Capibaribe, no agreste pernambucano, Altair Teixeira de Moura, afirma não ser importador da carga contida em dois contêineres apreendidos, semana passada, pela Receita Federal, no Porto de Suape, contendo 46 toneladas de lençóis sujos, cateteres, seringas e luvas usadas, despachados nos Estados Unidos.

Seu advogado, Gilberto Lima, informou que ele se apresentou anteontem (18) à Polícia Federal e fez uma representação para que seja apurada a responsabilidade pela carga ilícita. "Esta carga deverá ser devolvida ao exportador norte-americano pelos meios legais e a Polícia Federal será acionada para investigar irregularidades do exportador", afirmou Lima. "O exportador mandou uma mercadoria divergente".

Segundo ele, seu cliente importa tecidos com defeito de tecelagem desde 2009 da empresa norte-americana Texport inc que, diz ele, fornece venda de resto de fábrica para o mundo inteiro. "As peças são mais baratas, de segunda linha, mas não se trata de lixo". As cargas importadas são descritas como "tecido de algodão com defeito".

Altair Teixeira de Moura acompanhou autoridades sanitárias e da Policia Federal ontem (19) em inspeções nas três unidades da Império do Forro de Bolso (nome fantasia da empresa Na Intimidade): em Santa Cruz do Capibaribe, onde fica a sede, a 205 quilômetros do Recife, e em Toritama e Caruaru, onde se localizam dois galpões.

Todos estão interditados pela vigilância sanitária. A Polícia Federal e a polícia civil instauraram inquérito para investigar o caso e o Ministério Público do Trabalho abriu investigação para apurar denúncia de trabalho infantil e falta de uso de equipamento de segurança pelos funcionários da empresa.

Anteontem (18), por telefone, Altair falou rapidamente com O Estado. Disse ser inocente e que estava à espera do seu advogado para organizar uma entrevista coletiva para esclarecer os fatos. Depois desligou o celular. Ontem (19) ele informou não ter cumprido a promessa porque se apresentou à PF como principal interessado na apuração da verdade. Em seguida passou o telefone para o advogado.

A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) recolheu lençóis manchados - supostamente de sangue e secreções humanas, com logomarca de mais de 10 hospitais e centros médicos norte-americanos - nos galpões e na loja do Império do Forro de Bolso que foram entregues ao Instituto de Criminalística (IC) para análise. De acordo com o advogado, o empresário está confiante de que não se trata de secreção humana nem sangue.

Ele garantiu, ainda, que a empresa não importou a carga de 14 contêineres que são aguardados no Porto de Suape, despachados - como todos os outros - do Porto de Charleston, na Carolina do Sul (EUA). "Meu cliente nada tem a ver com essa importação".

O advogado disse não acreditar que o governador Eduardo Campos tenha chamado o responsável pela importação criminosa de "bandido", em entrevista no Palácio do Campo das Princesas, em defesa da imagem do pólo têxtil pernambucano, que engloba 13 municípios no agreste e tem Santa Cruz do Capibaribe como carro chefe. "Não creio que ele tenha se antecipado às investigações, que ainda estão em andamento", afirmou o advogado.

(daqui a pouco segue mais material)

uer que a Polícia Federal importadora de lixo hospitalar dos Estados Unidos, Altair Teixeira de Moura,

apontadoa como responsável pela importação de lixo hospitalar disfarçado de "tecidos de algodão com defeito".

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