Dono de farmácia pode ser indiciado em MG

Polícia encontrou psicotrópicos, que não podem ser vendidos por farmácias de manipulação, em estabelecimento que produziu vermífugo suspeito de causar 10 mortes

Marcelo Portela,

15 de dezembro de 2011 | 19h04

 BELO HORIZONTE - O proprietário da Fórmula Pharma, o bioquímico Ricardo Luiz Portilho, pode ser indiciado por envolvimento com tráfico de drogas. O estabelecimento localizado em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, foi responsável pela manipulação do Secnidazol 500mg suspeito de ter causado a morte de clientes da farmácia. Nesta quinta-feira, 15, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) confirmou que chega a dez o número de pessoas que podem ter morrido por causa do medicamento, indicado para o tratamento de verminoses.

A delegada responsável pelo inquérito, Herta Coimbra, passou a tarde de quarta-feira, 14, em diligências foram da delegacia regional do município, mas uma fonte da polícia confirmou a possibilidade de indiciamento por causa dos psicotrópicos encontrados na Fórmula Pharma na quarta-feira, 14. Os medicamentos, com efeitos calmantes e estimulantes, não podem ser comercializados por farmácias de manipulação.

A primeira morte de paciente que ingeriu o Secnidazol 500mg manipulado em 14 de novembro pela Fórmula Pharma foi a de Sandra Maria Ramos Vieira, moradora de Novo Cruzeiro, seis dias após o medicamento ser produzido. Dois dias depois, uma mulher de 72 anos, de Teófilo Otoni, também morreu após ingerir o Secnidazol. Mas as investigações só tiveram início em 1º de dezembro, quando outras seis pessoas já haviam morrido, após denúncia anônima ocorrida depois da internação de um casal que também tomou cápsulas do medicamento.

A SES acredita que tenha havido contaminação cruzada na manipulação do medicamento. Devido aos sintomas apresentados pelas vítimas, a principal suspeita é de que tenha sido usada uma substância anti-hipertensiva. Além de cápsulas do Secnidazol já prontas encontradas na sede da Fórmula Pharma, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, também vai analisar todas as substâncias usadas na produção do medicamento.

Não há prazo previsto para a conclusão das análises porque, de acordo com a SES, parte destas substâncias - também apreendidas na farmácia de manipulação - ainda não chegaram na Funed e a recomendação é para que quem comprou qualquer medicamento da Fórmula Pharma suspenda imediatamente o uso.

Em depoimento à delegada Herta Coimbra na quarta-feira, Ricardo Luiz Portilho (cujo nome havia sido divulgado anteriormente como Henrique Luiz Portilho) afirmou que acredita na possibilidade de "sabotagem" na manipulação do Secnidazol. Além dos psicotrópicos, a fiscalização no estabelecimento na quarta-feira resultou na apreensão de computadores e documentos mostrando que as vítimas compraram o medicamento.

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