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Mortes por covid-19 em SP caíram 46% entre hospitalizados desde março, diz governo

Internações por coronavírus estão em queda em São Paulo, mas média de óbitos ainda é superior ao recorde de 2020; governo volta a dizer que não vai antecipar segunda dose da vacina da AstraZeneca

Priscila Mengue e Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2021 | 12h36
Atualizado 14 de julho de 2021 | 22h31

Após a ampliação da vacinação, o Estado de São Paulo registrou queda de 46% desde março nas mortes entre pacientes internados pelo novo coronavírus. O balanço foi apresentado ontem pela gestão João Doria (PSDB). Segundo a Fiocruz, nesta semana, pela primeira vez desde dezembro, nenhum Estado registrava taxa de ocupação de UTIs para covid-19 superior a 90%. 

Segundo o governo, a taxa de letalidade entre internados pela doença era de 35% em março (a mais alta do semestre). Entre cerca de 67 mil pacientes, 23 mil morreram. Em junho, a porcentagem foi de 19%: entre 37 mil internados, 7 mil morreram. “É resultado dos altos índices de cobertura vacinal”, disse Doria.

“Estamos internando pessoas menos graves e, com isso, fazendo com que impacto seja reduzido (de piora nos quadros dos pacientes)”, afirmou o secretário estadual da Saúde.

Ao todo, 62% dos adultos que moram no Estado receberam a primeira dose do imunizante. Além disso, 95% da população com 90 anos ou mais tomou as duas doses, enquanto a cobertura vacinal é de 100% no público estimado de 70 a 89 anos.

“As vacinas ajudaram muito (a melhorar o cenário), mas não são só elas”, diz o médico do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP Márcio Sommer Bittencourt. “Tanto é que a gente consegue ver que teve queda em outras faixas etárias que não estão amplamente vacinadas”, acrescenta.

Além da imunização, de acordo com o especialista, a queda também pode estar relacionada, por exemplo, a uma menor sobrecarga do sistema de saúde. Na fase mais crítica da pandemia, no primeiro semestre, houve registros de mortes à espera de vaga na UTI e de hospitais com desabastecimento de sedativos. 

Para o coordenador executivo do Centro de Contingência contra a Covid do Estado, João Gabbardo, a expectativa é de que a pandemia esteja controlada no Estado após a aplicação da primeira dose nas faixas etárias de 12 anos ou mais. “Até o final do mês de setembro, teremos em torno de 86% da população com uma dose.” 

Segundo ele, com essa cobertura, será possível realizar novas flexibilizações para eventos. “Não estamos perto da volta da normalidade, que será adquirida de uma forma gradual e diretamente relacionada ao nosso processo de imunização”, ponderou.

Para a população adulta, a gestão Doria projeta concluir a imunização com a primeira dose até 20 de agosto. Ontem, o governo reforçou que não pretende, por ora, antecipar a aplicação da segunda dose do imunizante Oxford/AstraZeneca – medida adotada  por outros Estados, como Pernambuco, Santa Catarina e Espírito Santo. 

“Achamos que não é esse o momento oportuno”, justificou Regiane de Paula, coordenadora do Plano Estadual de Imunização. A Fiocruz também defendeu a manter o intervalo de 12 semanas entre as doses. 

Rede hospitalar. Além do cenário de menor ocupação nas UTIs públicas pelo País, o boletim da Fiocruz ontem confirmou a tendência de queda nos casos e nas mortes, o que vem correndo há três semanas. 

Os pesquisadores destacam que a ocupação menor das alas de terapia intensiva revela o avanço da imunização no País, mas destacam que a transmissão ainda é intensa entre os não imunizados. 

“É importante destacar que as vacinas disponíveis apresentam limites em relação ao bloqueio da transmissão do vírus, que continua circulando com intensidade. As vacinas são especialmente efetivas na prevenção de casos graves”, ressaltam. 

A chegada da variante Delta, identificada originalmente na Índia, tem colocado autoridades de saúde em alerta. Sobre a Coronavac, o Butantan disse que testes em laboratório apresentaram resultados promissores contra essa cepa, mas ainda faltam estudos na prática. 

Pesquisa na semana passada mostrou que as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca têm dificuldades de garantir proteção contra a Delta com apenas uma dose, mas funcionam quando há duas aplicações. Ontem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou estudos de uma nova versão da AstraZeneca, a ser testada contra a variante Beta (sul-africana). 

A taxa de transmissão de covid no Brasil caiu para 0,88 na semana passada e chegou ao seu menor índice desde novembro, quando era 0,68, apontam dados do Imperial College, de Londres. Apesar do cenário de melhora, o País segue como um dos mais atingidos no mundo.

Pais de alunos receberão R$ 500 para fiscalizar cumprimento de protocolos nas escolas

Doria anunciou o lançamento do programa Bolsa do Povo Educação, que pagará R$ 500 mensais a familiares desempregados de alunos da rede estadual de educação para atuarem por 4 horas diárias na fiscalização do cumprimento de protocolos contra a covid-19. As atividades ocorrerão de agosto a dezembro deste ano, com inscrições entre 19 e 31 de julho no site bolsadopovo.sp.gov.br, com foco nas famílias mais vulneráveis. Um programa semelhante foi implementado pela Prefeitura paulistana em março na rede municipal, com uma bolsa-auxílio de R$ 1.155 para 6 horas diárias de atividades.

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