Marcelo Chello/CJPress
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Doria anuncia rede com capacidade para mais 2 mil testes por dia para coronavírus

Governador de São Paulo também anunciou a criação de leitos específicos para coronavírus no Hospital das Clínicas

Bruno Ribeiro, João Ker e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 12h58
Atualizado 23 de março de 2020 | 19h14

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou novas medidas nesta segunda-feira, 23, para conter o avanço do novo coronavírus no Estado. De acordo com o governador, a partir de quarta-feira, 25, São Paulo terá uma rede de testes para a doença, com capacidade para fazer até 2 mil testes por dia. "Testar, testar e testar, é essa a orientação", disse Doria, em referência a uma declaração do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que recomendou na semana passada a testagem em massa como forma de conhecer melhor a epidemia e conseguir contê-la.

Na quarta entra em operação um novo laboratório do Instituto Butantan, criado especificamente para absorver parte da demanda de casos suspeitos que estava ficando represada no Instituto Adolfo Lutz, órgão principal de vigilância epidemiológica de São Paulo. Em entrevista ao Estado, Dimas Covas, diretor do Butantan, explicou que neste momento, o objetivo é testar as muitas amostras de casos suspeitos que já foram coletadas e precisam ser avaliadas. 

Inicialmente, tão logo entre em funcionamento, o instituto terá capacidade de fazer mil testes por dia. A expectativa é com o tempo ganhar escala. "Poderemos chegar a 2 mil por dia, depedendo de medidas adotadas", afirma. Uma das dificuldades, explica, é a obtenção de reagentes para fazer os testes. Como a doença atinge quase o mundo inteiro, a demanda por insumos de pesquisa também é mundial, o que tem levado a uma demora na sua obtenção. "Temos reagentes para começar a testagem, mas ainda não para tudo o que está previsto", afirma.

O Ministério da Saúde já anunciou aos laboratórios de referência dos Estados que vai distribuir 100 mil kits diagnósticos por Biomanguinhos. O Butantan vai depender de uma parte desse fornecimento.

Além do esforço do instituto, o governo planeja aumentar a oferta de testes com laboratórios da Universidade de São Paulo. Após um chamado da reitoria por ajuda de todos que pudessem colaborar com os testes, 17 laboratórios se voluntariaram. Destes, cinco tem condições de operar, mas três ainda dependem de validação por parte do Adolfo Lutz. 

Os testes serão oferecidos, segundo o governo do Estado, prioritariamente às pessoas atendidas em unidades de saúde e que apresentaem sintomas da doença, além de próprios profissionais de saúde.

De acordo com o governo, esses testes não estão relacionados com os testes anunciados pelo Ministério da Saúde neste domingo, 23. O  governo federal anunciou que o Brasil terá 5 milhões de testes rápidos para coronavírus na próxima semana e há previsão de que esse número chegue a 10 milhões. Além do Butantan, somente o Instituto Adolfo Lutz realizava os testes de coronavírus na capital paulista. 

O pesquisador Luís Carlos Ferreira, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, que está coordenando a força-tarefa dos laboratórios, explica que, neste momento, além do laboratório central do Hospital das Clínicas, haverá apoio ao Hospital Universitário, com a força de trabalho do Laboratório de Virologia do ICB e da Plataforma Pasteur-USP, que entrou em operação em fevereiro, como informado pelo Estado neste sábado.

Também vão participar dos testes o hemocentro de Ribeirão Preto e dois laboratórios dos campus de Pirassununga e de Bauru. Esses três precisam ser validados pelo Adolfo Lutz. "Precisamos urgentemente capacitar e credenciar outras unidades", disse Ferreira ao Estado.

Segundo ele, a estimativa é que unindo as forças dos cinco laboratórios, seja possível chegar a 165 mil testes em três meses. Só o HC tem capacidade instalada para fazer 30 mil testes até junho. "Se vai ser suficiente ou não, ainda não temos como saber", afirma

Novos leitos

Doria também anunciou que o Hospital das Clínicas abrirá 900 novos leitos para tratar o coronavírus a partir da próxima sexta-feira, 27; ao todo serão 2.300 leitos de UTI exclusivos para o tratamento da covid-19 no Estado de São Paulo. O governador disse também que foi criada uma rede de triagem com cinco centros para atendimento aos pacientes com suspeita de coronavírus, nos hospitais Instituto Emílio Ribas, Mandaqui, Vila Penteado, Ipiranga e Geral de Guainases.

De acordo com o governo de São Paulo, o Estado tem 22 mortes pelo novo coronavírus e 631 casos confirmados, com 61 pacientes em terapia intensiva.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) também participou dos anúncios e afirmou o governo municipal adquiriu 100 mil testes para o novo coronavírus, que serão destinados à população e também para profissionais de saúde.

Outras medidas

Doria também afirmou que as fábricas e o setor da construção civil não devem parar neste período de quarentena no Estado. A quarentena é válida a partir desta terça-feira, 24. Mas Doria ressaltou que essa é uma orientação válida até segunda ordem. "Não podemos ter um colapso na produção do País", afirmou.

O governador também pediu que prefeitos do Estado não bloqueiem rodovias e não impeçam a entrada de caminhões nas cidades, a fim de não ter desabastecimento. 

De acordo com o governador, a partir de quarta-feira, 25, Policiais Militares e Bombeiros fardados terão acesso gratuito a trens, ônibus municipais e intermunicipais e metrôs até o dia 30 de julho. 

Doria também anunciou que foi feita uma reunião com 132 empresários, que rendeu a doação de R$ 96 milhões em equipamentos e suplementos ao Estado de São Paulo, através de 28 empresas.

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