Governo do Estado de São Paulo
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Doria divide Grande São Paulo em sub-regiões para flexibilização da quarentena

Decisão, antecipada pelo Estadão, foi tomada depois de prefeitos reclamarem de tratamento diferenciado para a capital paulista

Bruno Ribeiro e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2020 | 11h02

Mesmo com uma taxa de ocupação dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de 88,9%, as cidades da Grande São Paulo também serão autorizadas a tocarem projetos de abertura econômica, segundo decisão do governador João Doria (PSDB) antecipada pelo Estadão.  A região metropolitana foi dividida em seis sub-regiões, a capital e mais cinco, e cada uma delas deverá apresentar na semana que vem seus próprios estudos, para mudarem de fase no processo de abertura. Atualmente, todas estão na fase vermelha, de restrição máxima, em que só é permitido o funcionamento de serviços essenciais.

A decisão foi tomada após pressão feita pelos prefeitos dessas cidades, depois de saberem da opção pela liberação da capital, divulgada na quarta-feira. Parte dos 18 médicos que compõem o Centro de Contingência do Coronavírus paulista se opôs à ideia. 

As cidades terão de se organizar nas sub-regiões e cada grupo terá de elaborar planos próprios de uma abertura faseada, nos mesmos moldes da flexibilização da quarentena apresentado pelo governo do Estado na quarta-feira, para só então ter a autorização para migrar para a fase laranja, que libera escritórios, shoppings e o comércio de rua, com restrições, em acordo com o governo estadual. 

Na capital, o prefeito Bruno Covas (PSDB) tenta agora propor uma abertura controlada, negociada com o setor privado, para evitar que o número de casos de covid-19 comprometa a capacidade dos sistemas de saúde. Covas, que participou da entrevista coletiva ao lado de Doria nesta sexta, reafirmou que nada será reaberto no dia 1º de junho. Segundo ele, a partir desta data começa a análise de propostas das entidades setoriais pela Prefeitura e pela Vigilância Sanitária.  "Apesar da autorização dada pelo governo do Estado, no dia 1º começa a análise dos protocolos. E vamos com fiscalização mais intensificada para a rua na segunda-feira", disse Covas, quando questionado sobre comércios que podem vir a reabrir antes da autorização municipal.

Enquanto foi analisada como uma única região, a Grande São Paulo teria de ficar na zona vermelha. Já com a análise em sub-regiões, parte das cidades também receberá a classificação laranja, e autorizar a retomada de parte das atividades. 

As sub-regiões são: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã, na região norte; Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano, na área leste; Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, na região sudeste, o ABC; Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista, no sudoeste; e, por fim, Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba, na região oeste. Além delas, há a capital, que já foi liberada.

Segundo nota enviada pelo governo, "as análises regionalizadas serão realizadas semanalmente e indicarão reclassificação da atual fase vermelha, de nível máximo de restrição, para as que permitem abertura controlada de atividades não essenciais". O governador argumentou que "com essa divisão, será possível ter uma análise ainda mais precisa de critérios técnicos de saúde para classificação apropriada de fases de retomada consciente na região metropolitana”.

Desde quarta, quando as regras de flexibilização foram anunciadas, prefeitos da Grande São Paulo têm procurado a imprensa com queixas sobre o tratamento diferenciado obtido pela capital. Pesou para Doria ceder às pressões o comportamento de Orlando Morando (PSDB), de São Bernardo do Campo, aliado de primeira hora do governador no diretório estadual tucano no Estado, que deu diversas entrevistas com duras críticas à abertura só da cidade de São Paulo -- São Bernardo tem uma taxa de ocupação de leitos de UTI inferiores à da capital.

"Corrigir um erro é o maior acerto que um gestor público pode mostrar a sua grandeza.  Separar nesse momento a região metropolitana é decisão acertada, pois classifica quem tem as melhores condições de começar a reativar as atividades econômicas diminuindo riscos", disse Morando.

Doria, durante a coletiva em que detalhou o projeto, rebateu as informações de que cedeu a pressões. "A gente não se submete a nenhuma forma de pressão, nem de prefeitos, nem de parlamentares e nem do presidente. A orientação sempre foi a da ciência. Foi sempre assim e continuará sendo assim", disse o governador.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, cerca de 90% da população do Estado ainda está em atenção ou controle e, nesta sexta-feira, os prefeitos recebem o decreto estadual e emitem os decretos municipais. "As populações serão orientadas hoje e no final de semana pelos prefeitos", disse Vinholi.

"Desde quarta, o vice-governador Rodrigo Garcia já adiantava estudos para dar tratamento adequado à região metropolitana, no que tange aos modelos de regionais de saúde. E isso foi aprovado no comitê de contigência e os cinco consórcios que representam os prefeitos concordaram com o protocolo, de uma região que tem 22 milhões de pessoas. Concondarmos que esse é o melhor modelo para se analisar a região, separado da capital, e separados entre eles também pelas diferenças, no que tange a capacidade de saúde. Explicamos como é importante aumentar a capacidade de atendimento de saúde nesses locais", afirmou.   

Doria afirmou que não haverá nenhum tipo de restrição na circulação de pessoas entre as cidades do Estado. "Os municípios devem receber o sinal do governo do Estado", disse Doria, sobre a questão da Grande São Paulo. 

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