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Doria amplia quarentena até 10 de maio no Estado de São Paulo

Medida foi anunciada em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 17. De acordo com o governador, ampliação foi decidida para evitar o colapso do sistema de saúde

Bruno Ribeiro, Pedro Venceslau, Paloma Cotes e João Ker, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2020 | 11h31
Atualizado 17 de abril de 2020 | 17h12

SÃO PAULO - O governo de São Paulo prorrogou a quarentena no Estado para retardar a propagação do novo coronavírus, que venceria no próximo dia 22, quarta-feira. Agora, a medida vale até o dia 10 de maio. A quarentena está em vigor no Estado desde o dia 24 de março e já havia sido ampliada uma vez. O decreto prevê o fechamento do comércio e serviços não essenciais, o que inclui bares, restaurantes e cafés, que só podem funcionar com serviços de delivery. Já os serviços considerados essenciais, como farmácias e supermercados, podem abrir as portas. 

De acordo com o governador João Doria (PSDB), a medida vale para os 645 municípios e tem por objetivo evitar o colapso do sistema de saúde. "Infelizmente, os casos estão em expansão. As UTIs e enfermarias dos hospitais públicos e privados estão recebendo número maior de pacientes a cada dia e alguns hospitais públicos já estão à beira do seu limite", afirmou Doria.

Havia a discussão se a ampliação valeria em todo o Estado, uma vez que dirigentes vêm recebendo pressões de prefeitos do interior para liberar aberturas parciais do comércio em municípios onde a doença ainda não chegou. Mas o governador determinou que a medida vale para todas as cidades. "Não temos nenhum prazer em ampliar o período da quarentena, mas temos que respeitar a ciência. E esse período vai passar e depois vamos agir para recuperar a economia", disse Doria.

O infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, afirmou que a decisão de prolongar a quarentena foi unânime entre o grupo, após a análise de "dados intensos". "Esta manutenção [da quarentena] é absolutamente fundamental tanto do ponto de vista da área metropolitana de São Paulo, como da Baixada Santista, e do interior", afirmou.  

Uip também destacou que há um monitoramento nos casos de outros estados que fazem fronteira com São Paulo, já que muitos pacientes vêm ao Estado para se tratar aqui.

São Paulo é o Estado com maior número de mortes e casos confirmados do novo coronavírus no País. De acordo com balanço mais recente da Secretaria Estadual da Saúde, São Paulo já tem 928 óbitos pela doença. Os casos confirmados são 12.792. O novo coronavírus já atingiu 215 municípios do Estado e já foram registradas mortes em 88 cidades. 

Em todo o País, o número de mortes de pessoas infectadas pelo novo coronavírus chegou 2.141, com um total de 33.682 casos, de acordo com o Ministério da Saúde. 

O sistema de saúde estadual e municipal já sofrem com sobrecarga em leitos de UTI, principalmente na capital e na região metropolitana.

Diante deste cenário, o secretário Estadual da Saúde, José Henrique Germann, afirmou que existe uma intenção do governo de fazer mais uma parceria com os hospitais privados, para evitar o colapso do sistema público de saúde e a falta de leitos. "Desde o início do vírus já tivemos vários programas em parcerias. E este alinhamento entre poder público e as redes privadas é evidente desde então."

O prefeito Bruno Covas (PSDB), que participou do anúncio da ampliação da quarentena, afirmou que existe a possibilidade de remunerar leitos do setor privado para ocupar vagas ociosas com pacientes do sistema público de saúde. Covas também falou sobre o rápido esgotamento dos leitos na rede pública. "Mesmo assim (com ampliação), nossos hospitais estão ficando lotados, apesar de todo o esforço que a Prefeitura está fazendo. Nada vai adiantar, se as pessoas não seguirem as recomendações", disse Covas.

De acordo com o governo do Estado, a taxa de isolamento voltou a cair e ficou em 49% nesta quinta-feira, 16. O ideal para controlar a disseminação da doença, segundo o gestão Doria, é 70%. O governo afirma que uma taxa baixa de adesão pode fazer com que o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não seja suficiente para atender a população.

Covas reforçou o pedido para que as pessoas não viajem durante o feriado de Tiradentes, que terá ponto facultativo na próxima segunda-feira, 20, na capital. Doria também reafirmou o pedido para que as pessoas fiquem em casa, mas disse que não haverá ações de restrição de circulação nas rodovias.

De acordo com Germann, 9.400 exames ainda aguardam resultado. 

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