Governo do Estado de São Paulo
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Doria decide prorrogar a quarentena em SP, mas de forma 'heterogênea'

Novo modelo do isolamento social deverá permitir abertura comercial em determinadas regiões do Estado

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2020 | 17h48

SÃO PAULO - A quarentena em vigor em São Paulo será prorrogada a partir do dia 31 de maio, mas o novo modelo adotará regras diferentes para o litoral, para capital e região metropolitana de São Paulo, e para o interior do Estado, segundo afirmou o governador João Doria (PSDB). Chamada de "quarentena inteligente", a nova ação será anunciada nesta quarta-feira, 27.

Doria adiantou detalhes da nova quarentena em entrevista à Globonews. "A nova quarentena será inteligente. Ela vai levar em conta toda a regionalização do Estado de São Paulo, o interior, a capital, a região metropolitana, o litoral de São Paulo. A decisão não será homogênea", afirmou. "Até agora, ela foi homogênea. Até esta quarentena que se encerra no dia 31 de maio. Foi homogênea porque precisava ser."

O novo modelo, por sua vez, terá regras diferentes para as distintas regiões. "Agora, temos condição de ela (a quarentena) ser heterogênea, seguindo orientação do comitê de saúde", disse o governador. "Áreas e regiões onde poderemos ter um olhar que defina pela quarentena inteligente, a flexibilização cuidadosa e em etapas, isso será levado em consideração", afirmou. "Onde isso não for possível, porque os índices e os riscos indicam que não deve, não haverá."

Já o secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, disse em uma live da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil que o oeste do Estado deverá ser a primeira área a ser liberada. "Vamos começar pelo oeste do Estado, em cidades com menor densidade e maior capacidade de atendimento hospitalar." Já na região metropolitana da capital, segundo o secretário, "o mais provável é uma restrição um pouco maior"

O Estado, líder em casos da covid-19 no País, tinha até esta segunda-feira 6.220 mortes pela doença. No domingo, a taxa de isolamento social foi de 55% no Estado e 57% na capital paulista

O governo tem um grupo de trabalho voltado à busca de formas de permitir a reabertura de determinadas atividades em determinadas regiões do Estado, que segundo Doria é submetido ao Centro de Contingência do Coronavírus. O centro, que reúne 15 profissionais de saúde, a maior parte infectologistas, já determinou o adiamento de propostas de abertura comercial no Estado por causa do risco de colapso no sistema de saúde.

O grupo econômico, que tem como líder a economista Ana Carla Abrão, já apresentou ao governo um plano que vê oito atividades econômicas como prioritária para ser retomar a operar, em especial por serem as áreas mais atingidas. Entre elas, estão prestadores de serviço, corretores de imóveis e vendedores ambulantes. O grupo também tem mapeado as regiões do Estado que podem passar por algum tipo de flexibilização, e elaborou em conjunto com a equipe de saúde protocolos que deverão ser adotados para uma retomada segura. 

O grupo econômico é uma das respostas que a gestão Doria deu às pressões vindas especialmente de prefeitos do interior. Eles cobram a abertura, uma vez que suas cidades não vinham registrando, ao menos há até duas semanas, um número de casos que pudesse sobrecarregar os sistemas de saúde. Outra resposta vinda do governo foi a criação de um grupo chamado "Comitê Municipalista", capitaneado pelo secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, cuja missão tem sido convencer as lideranças municipais sobre a necessidade de se isolar agora para reduzir o tempo de quarentena depois.

Por outro lado, a atenção do Centro de Contingência tem se voltado ao interior desde a semana passada, graças a uma aceleração da difusão da doença em ritmo maior do que o da capital, que segue em isolamento. Na quarta passada, o próprio Vinholi fez uma apresentação pública de casos, com dado da primeira quinzena de abril. comparando as diversas regiões administrativas do Estado, para mostrar aumentos superiores a 300% no número de casos no interior, ante crescimentos de 100% na capital no igual período.

A pressão pela abertura no interior é diferente da pressão vinda da capital, feita pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), aliado de Doria. Depois de tentar bloquar o trânsito nas principais artérias viárias da cidade, e de tentar implementar um rodízio que proibia o tráfego diário de metade da frota, duas medidas que não reduziram o isolamento social e trouxeram críticas, a equipe de Covas começou a defender o lockdown, como forma de tentar reduzir o surgimento de casos novos e dar fôlego ao sistema de saúde, enquanto o prefeito divulgava o plano de antecipação de feriados, que se encerra nesta segunda, e que trouxe pequena elevação nos índices de isolamento.

"Se fosse competência do prefeito Bruno Covas pronunciar o lockdown, ele já o teria feito", disse a veradora Patrícia Bezerra (PSDB), da base de Covas, na sessão da Câmara Municipal que votou o projeto de lei que autorizava a antecipação dos feriados. Covas disse que não tinha condição de fazer sozinho o lockdown porque a cidade tem divisas com outras cidades em cerca de 1.700 pontos, e seria impossível adotar essa ação apenas na capital.

Doria, à Globonews, descartou a adoção de lockdown. Como já disse em entrevista ao Estado, afirmou que o protocolo para implementação da norma existe, mas que por ora não há recomendação da equipe técnica para adotá-lo.

Doria apoiou, por outro lado, o plano de feriados de Covas e contribuiu antecipando o feriado estadual de 9 de Junho para esta segunda, 25. Pelo Twitter, parabenizou a populaçãão pelo aumento da taxa de isolamento do domingo.

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