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Doria defende transparência de dados e anuncia inclusão de testes privados no cadastro estadual

Governador de São Paulo adota posição contrária à do governo federal em relação ao coronavírus

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 14h10

Na contramão do governo federal, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta segunda-feira, 8, medidas para aumentar a transparência na divulgação de dados da covid-19 no Estado. Segundo ele, a partir de agora a rede privada será obrigada a notificar às autoridades estaduais os resultados dos testes que realizar. Isso deve quadruplicar o número de exames no estado e, consequentemente, aumentar o número de casos registrados.

Além disso, Doria anunciou que o boletim epidemiológico do estado vai trazer informações novas, além das já existentes, como o número diário de internações em decorrência no novo coronavírus. 

OO secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, anunciou também que o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde vai consolidar diariamente números nacionais sobre a evolução da doença e, se necessário, tornará estes dados públicos caso o governo federal tente ocultar o avanço dos casos da covid19 no país.

Nesta segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) cobrou transparência ao governo brasileiro diante das mudanças na divulgação do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde que passou a ocultar os números acumulados de mortes em decorrência da pandemia.

Segundo Doria, com a obrigatoriedade das notificações pela rede privada o número de testes diários no estado deve aumentar dos atuais 8 mil para cerca de 30 mil. "Estamos até ampliando o volume de informações para permitir uma transparência maior, melhor e mais atualizada", disse Doria, que chamou a mudança na divulgação dos números pelo Ministério da Saúde de "apagão de dados." 

"Ao incluir os testes realizados pela iniciativa privada ao monitoramento público isso dará uma visão mais abrangente da pandemia e de como combatê-la. Mais uma vez São Paulo entende que transparência nos dados significa trabalhar melhor para vencer a pandemia, jamais esconder informações", completou o governador.

Segundo a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Patricia Ellen,  o governo firmou uma parceria com Instituto Coalizão Saúde, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica e as três principais empresas de diagnósticos do estado para incluir os testes privados no cadastro público e fazer um levantamento retroativo dos casos. 

"Esta gestão tem o compromisso de tomar decisões com base em dados e evidências e é por isso que ter os melhores dados é tão importante. Estamos também fazendo um trabalho retroativo das últimas quatro semanas", disse ela. 

De acordo com a Secretaria, isso não significa fazer uma recontagem das vítimas da doença no Estado mas incluir nos números oficiais os testes negativos que não haviam sido notificados. Segundo ela, no momento em que São Paulo inicia a retomada das atividades econômicas é necessário aumentar o foco também nas pessoas que já tiveram contato com a doença. 

"Queremos melhorar o processo de notificação e consolidação dos testes não somente positivos mas também negativos porque agora é fundamental entender qual é o porcentual da população que tem o vírus ou já teve contato com o vírus", disse ela.

O secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, anunciou os novos números de casos de covid-19 contabilizados em São Paulo. Segundo ele, são 144.593 infectados e 9.188 mortes. Ou seja, foram registrados 1.520 contaminações e 43 óbitos nas últimas 24 horas. 

O coordenador do Centro de Contingência do coronavírus no estado, Carlos Carvalho, no entanto, disse que o número é "falsamente baixo". "Hoje, segunda-feira, estamos olhando os dados que foram imputados no domingo. Como estes dados do fim de semana não são registrados com a mesma velocidade dos dias úteis ocorre este delay, este retardo", disse. 

Germann admitiu que o índice de casos no estado ainda aumenta diariamente, embora o governo tenha decidido afrouxar as normas de isolamento, mas em uma velocidade menor do que no início da pandemia. "Nós estamos tento um crescimento, eu diria, a baixa velocidade. São 5% (a mais) de casos que se confirmam a cada dia e 3%, às vezes menos, de óbitos. Então neste sentido nós temos que observar que há uma certa estabilização do comportamento da epidemia no estado", disse o secretário.

Ele também admitiu que o índice de isolamento (hoje de 53%) ainda é inferior aos 60% considerados ideais.

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