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SP terá fase vermelha todas as noites e aos finais de semana a partir de segunda-feira

Governo paulista detalhou migração do Estado para etapa mais restritiva do plano de combate à covid; comerciantes protestaram na frente do Palácio dos Bandeirantes

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2021 | 12h39

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) detalhou nesta sexta-feira, 22, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, a nova reclassificação das cidades de São Paulo no Plano São Paulo, de combate ao coronavírus, com a regressão dos municípios para as fases laranja e vermelha, além das novas regras que vão manter apenas os serviços essenciais abertos aos finais de semana. As novas restrições passarão a valer a partir de segunda-feira, dia 25. 

A nova classificação vai durar pelo menos até o dia 8 de fevereiro. Das 20h às 6h durante as semanas e ao menos nos próximos dois finais de semana, todo o Estado ficará na fase vermelha.  Diante do recrudescimento da pandemia, a volta à aulas  na rede pública do Estado, que estava prevista para fevereiro, foi adiada, e não será mais cobrada dos alunos a presença nas salas de aula no dia 1º.  A partir do dia 8, as escolas serão reabertas para atendimento a famílias. Já o calendário da rede privada será definido por cada escola. 

Ao todo, 756 leitos extras de Unidades de Terapia Intesiva (UTIs) estão sendo abertos em todo o Estado, dos quais 306 são de UTI e 450 de enfermaria. Isso inclui a reabertura do hospital de campanha de Heliópolis dentro do prédio do Ambulatório Médico de Especialidade (AME) Barradas, na zona sul da capital, com 24 leitos de UTI, desativado em setembro. Além disso, cirurgias eletivas estão sendo canceladas. "Nós precisamos e estamos aumentando o número de leitos de unidades de terapia intensiva e de enfermaria”, destacou o secretário da saúde, Jean Gorinchteyn.

As cidades das regiões de Araraquara, Baixada Santista,  Campinas, São João da Boa Vista e a Grande São Paulo, que estavam na fase amarela do plano de restrições, foram para a fase laranja, em que os horários e atividades são mais restritivos. Já os municípios das regiões de Barretos, Bauru, Franca, Presidente Prudente, Sorocaba e Taubaté foram para a fase vermelha, em que apenas o comércio essencial pode funcionar sem restrições. As demais regiões se mantêm na fase laranja.

O aumento de casos e de internações de pacientes com covid-19 é o principal motivo da regressão na quarentena. O índice, no Estado, está em 71,1%.  O novo fechamento do comércio é uma tentativa de aumentar o distanciamento social e frear a propagação do coronavírus e seus variantes. São Paulo contabiliza 51.192 óbitos e 1.679.759 casos da doença.

O secretário-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, afirmou que a expectativa dos cientistas é de uma piora ainda mais aguda nos próximos dias. “O que o centro de contingência prevê como cenário para os próximos dias não é tranquilizador. Pelo contrário, são muito sombrios. Temos risco em São Paulo, se as medidas não forem adotadas, de ter dificuldade de fornecer leitos” para todas as pessoas que precisam, como já ocorreu em outros Estados.

Gabbardo destacou que “a não oferta de leito significa invariavelmente a morte dessas pessoas. Mas a presença desses leitos não significa que não teremos óbitos”.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, uma das coordenadoras do Plano São Paulo, reforçou que as novas medidas só terão início na segunda-feira, 25, e não a partir de sábado, 23, como autoridades do governo estadual inicialmente haviam informado ao Estadão na quinta-feira, 21. “Houve um grande mal entendido nas últimas horas. Sempre estamos trabalhando aqui com total transparência e sempre garantindo um mínimo de previsibilidade para as pessoas do Estado.” Ela disse ainda que, mantendo-se os níveis atuais de propagação da doença e novas internações, a capacidade de atendimento das unidades de saúde se esgotaria em 28 dias. 

Comerciantes protestam contra restrição de funcionamento

Um protesto com cerca de 50 donos e funcionários de bares e restaurantes, segundo a Polícia Militar, que são contrários às novas restrições, ocorreu na Avenida Morumbi, na frente do palácio, na manhã desta sexta. Uma das reivindicações era que as novas regras tenham início apenas na semana que vem, uma vez que os estoques para este fim de semana e feriado de aniversário de São Paulo, no dia 25, já estão comprados. Doria reforçou, na coletiva, de que as medidas só terão início na segunda-feira, 25. 

Doria comentou a reação dos comerciantes citando o caso do Amazonas, que chegou a anunciar o fechamento do comércio para a contenção da doença. Segundo o governador, a atual crise no Estado, que exauriu material médico vital para manter doentes vivos, “começou quando setores da economia, restaurantes, bares e mercadinhos pressionaram o governo”. O governador afirmou que “infelizmente, eles (os manifestantes) venceram, as autoridades cederam”. “Qual foi o resultado disso? Um aumento intenso de pessoas infectadas”, complementou.

“São Paulo não vai ceder, São Paulo vai proteger. Aqui, temos compaixão, temos compreensão, mas a razão está na ciência” afirmou o governador, ao dizer que esse pacote de restrições será mantido.

Prefeituras descumpriram determinações do Plano São Paulo em outras ocasiões

Durante a pandemia, o governo estadual tem enfrentado conflitos com algumas prefeituras a respeito do descumprimento do Plano São Paulo. No fim do ano, por exemplo, ao menos 19 municípios foram notificados por não respeitaram as restrições determinadas para as festas de fim de ano, com comércio aberto e registro de aglomerações nas praias.

No início de janeiro, o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, chegou a dizer que a desobediência teria consequência para os municípios, que perderiam a prioridade na discussão de parcerias com o Estado. “Vamos priorizar aqueles que seguem o Plano São Paulo. Aqueles que forem irresponsáveis irão para o fim da fila nos atendimentos”, afirmou na época.

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