Nelson Atoine
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Uso de máscara será obrigatório no transporte público em São Paulo

Medida foi anunciada em coletiva pela Prefeitura e pelo governo do Estado de São Paulo e obrigatoriedade valerá a partir do dia 4, segunda-feira

Bruno Ribeiro e Paloma Cotes, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2020 | 10h35
Atualizado 04 de maio de 2020 | 17h28

O uso de máscaras será obrigatório no transporte público em São Paulo a partir do dia 4 de maio, segunda-feira. O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB) e pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) em coletiva no Palácio dos Bandeirantes. A medida vale para metrô, trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ônibus municipais, intermunicipais e também ônibus rodoviários fiscalizados pela Artesp. 

A medida é válida também para táxis e aplicativos. A obrigatoriedade vale para os motoristas e passageiros e, segundo Doria, os motoristas podem negar a corrida se o passageiro não usar a máscara. Transportar passageiro sem máscara será uma infração. Os decretos com as medidas serão publicados nesta quinta-feira, 30. 

"Essa medida foi adotada em vários países e vem sendo observada como assertiva e recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Não será permitido o acesso ao transporte sem máscara. Podem ser as caseiras, de pano. É uma medida de proteção à saúde e à vida de quem precisa do transporte para se locomover todos os dias", afirmou o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy. 

O prefeito Bruno Covas afirmou que as empresas que transportarem passageiros sem máscaras serão multadas. "A multa será de R$ 3.300 por dia, por ônibus, que tiver pelo menos um passageiro sem máscara", disse. 

Doria afirmou que "as empresas terão advertência escrita e, se não obedecerem, serão multadas, sejam elas privadas ou públicas", afirmou. 

Para as pessoas que estiverem sem a máscara no transporte, Doria afirmou que elas serão, num primeiro momento, advertidas. "A primeira advertência será verbal e tenho certeza que todas as pessoas atenderão", explicou o governador. 

Cidades da região metropolitana, como Guarulhos, e municípios do interior paulista e de outros Estados já proíbem o acesso ao transporte público sem o equipamento de proteção. 

No metrô, a companhia deverá adotar também ações para evitar aglomeração. Embora a queda de movimento tenha sido superior a 70%, ainda há grande concentração de passageiros em plataformas e em trens nos horários de pico.

Dessa forma, agentes no Centro de Controle Operacional (CCO) deverão fazer uma contagem de passageiros na plataforma, para acelerar a chegada do trem seguinte se observarem que o trem que está chegando no momento não será suficiente para esvaziar a plataforma. Cada trem tem capacidade para transportar até 2.000 pessoas.

O metrô está fazendo ainda testes com uso de luzes UV para a limpeza das composições, usando uma técnica que poderia matar vírus deixados nos vagões.

Na semana passada, Doria já havia publicado um decreto que recomendava o uso das máscaras nos 645 municípios do Estado. Medida semelhante também já havia sido anunciada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB). Na época do anúncio, o entendimento do governo e da Prefeitura de São Paulo era de que tornar o material obrigatório poderia colocar em risco o fornecimento de máscaras para os profissionais de áreas essenciais. 

No caso da cidade de São Paulo, antes da crise, os órgãos de saúde consumiam cerca de 350 mil máscaras de proteção por mês. Atualmente, esse consumo é de cerca de 2,2 milhões.

Secretário diz que uso dos ônibus cai e do carro sobe

Nesta quarta, em entrevista à rádio Eldorado, o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Edson Caram, afirmou que o uso do transporte coletivo está numa faixa de 30%. "Temos 30% da população usuária do transporte coletivo e essa média não foi alterada. O volume que cresceu foi por automóvel", disse.

"As linhas onde percebemos que há maior densidade de pessoas, colocamos mais veículos", disse, lembrando que Covas já havia assinado um decreto que flexibiliza os horários dos comércios essenciais. A medida foi tomada para evitar lotação no transporte público em horários considerados de pico. "Algo em torno de 300 mil pessoas mudaram seu horário de transporte."

De acordo com Caram, as empresas de transporte coletivo tiveram recomendação de usar uma cortina para isolar os funcionários e disponibilizar álcool em gel para todos que estiverem trabalhando durante a pandemia. 

Além disso, a prefeitura estuda fazer novos bloqueios em vias da cidade. Ações desse tipo já aconteceram nesta semana na Radial Leste, na avenida Inajar de Souza (zona norte) e na avenida Teotônio Vilela (zona sul). De acordo com a prefeitura, os bloqueios possibilitam as abordagens de profissionais de saúde e a distribuição de material informativo aos motoristas. 

Mas Covas não descartou, diante da baixa taxa de isolamento social, que os bloqueios deixem de ser "educativos" e podem ser endurecidos, tornando-se bloqueios "efetivos".

O secretário ainda negou que haja qualquer possibilidade de retomada do rodízio de veículos no período da quarentena ou de aumento do preço da tarifa de ônibus. 

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