Governo SP
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Doria anuncia o maior relaxamento da quarentena de SP desde o início da pandemia

Cinco regiões foram autorizadas a liberar o comércio de rua e de shoppings; Baixada Santista e Grande São Paulo podem reabrir bares e academias

Bruno Ribeiro e Marina Aragão, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2020 | 12h57

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 10, o maior afrouxamento à quarentena no Estado desde maio, quando o programa de retomada econômica em meio à pandemia do coronavírus, o Plano São Paulo, foi anunciado. Apenas a regiões de Araçatuba, Campinas, Franca e Ribeirão Preto permanecem com o grau de restrição máxima, em que só o comércio essencial é autorizado a funcionar. Todo o restante poderá liberar o funcionamento de lojas de rua e shoppings, além de imobiliárias, concessionárias e escritórios, a partir da próxima segunda-feira, dia 13.

Barretos, Presidente Prudente, Bauru, Sorocaba e Marília estavam com liberação apenas dos serviços essenciais, a fase "vermelha", e agora  foram reclassificadas para a fase "laranja", em que poderão retomar o comércio de rua, shoppings, concessionárias e imobiliárias. As duas primeiras estavam na fase laranja havia quatro semanas. 

Já as regiões de Registro, da Baixada Santista e o parte da Grande São Paulo, que estavam na fase "laranja", entraram na fase "amarela", a mesma em que está a capital, quando bares, restaurantes e academias de ginástica podem voltar a funcionar.

"Todos devem se lembrar que, podendo ficar em casa, devem permanecer em casa", disse o governador João Doria (PSDB), ao anunciar as mudanças, lembrando que a quarentena ainda permanece e, agora, foi renovada até o dia 30 de julho. O uso de máscara continua obrigatório e passível de multas. 

Segundo Doria, essa nova fase “marca gradualmente, de forma segura, o retorno à normalidade. Uma fase que resgata a esperança.” Ainda de acordo com o governador, “depois de um longo período enfrentando o pico, estamos entrando em um platô” da evolução da doença. “Isso significa atenção redobrada para mantermos o platô.”

O Estado registrou mais 9.395 casos de covid-19 nas últimas 24 horas, fazendo o total de infecções confirmadas chegar a 359.110 registros. Já o número de mortes pela doença foi para 17.442 nesta sexta-feira, com 324 óbitos a mais desde quinta-feira. 

Ao lado de Doria, o  epidemiologista Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, avaliou as mudanças no mapa do Estado como uma evolução “satisfatória”. “Vi a evolução hoje do mapa, de acordo com a classificação de risco das regiões, de forma muito satisfatória. Um progresso que é gradual e mostra a direção para a qual estamos caminhando”, afirmou. Ele também usou a expressão "platô" para se referir à atual situação da epidemia no Estado. 

Menezes, por outro lado, destacou a atenção necessária para evitar um novo crescimento abrupto de casos, a chamada “segunda onda.” “Temos uma preocupação muito grande com um risco de ter a chamada segunda onda. Uma preocupação internacional, que tem sido observada em outros países e cidades que tiveram seus processos de reabertura e retomada de atividades, mas nossa leitura aqui no Estado de São Paulo é que sempre há um risco, mas tudo indica que estamos andando de forma muito segura em relação a isso.”

Esta é a sexta revisão do Plano São Paulo, que começou a categorizar as diversas regiões do Estado por cores a partir de 1º de junho. Na primeira avaliação, apenas as regiões de Registro, da Baixada Santista e a Grande São Paulo receberam a cor vermelha, enquanto o restante do interior se dividiu entre as fases amarela e laranja. 

Após isso, porém, a pandemia se acelerou no interior e o Estado foi sucessivamente fechando mais regiões, a ponto de Sorocaba, Bauru, Marília, Presidente Prudente, Araçatuba, Franca, Ribeirão Preto e Campinas terem sido colocadas na zona vermelha na última avaliação, no dia 3 de julho.

Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, 83% dos cerca de 40 milhões de habitantes do Estado estão em regiões classificadas como "laranja" ou "amarela", quando o comércio é permitido em meio a restrições. 

Já a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, disse que "o resultado que estamos alcançando hoje é um resultado nos nossos melhores cenários. Vocês devem lembrar que, há algumas semanas, fomos questionados aqui que algumas universidades fizeram projeções com os nossos dados e alertaram para o potencial risco, com o início do Plano São Paulo, nós poderíamos fechar o mês de junho com um número muito maior de óbitos, até 7.000 óbitos a mais”, disse. 

A secretária continuou: “Nós chegamos no mês de julho com o melhor cenário deles, porque o Plano São Paulo foi aplicado da forma correta. Além das máscaras, que dependem das pessoas, e do isolamento social, que foi mantido no nível de 45% a 47% nos dias úteis, chegando acima de 50% nos fins de semana”.

Ela ainda destacou que “98% dos municípios estão fazendo trabalho de triagem, monitoramento e isolamento de contatos (com infectados), o que nos ajudou, em duas semanas, a isolar mais de meio milhão de pessoas.”

A próxima revisão do Plano São Paulo será na sexta-feira que vem, dia 17. Mas, nessa avaliação, as diversas regiões do Estado poderão apenas manter a classificação que já têm ou retroceder para uma fase anterior, caso os índices de saúde piorem. Apenas no dia 24, passadas duas semanas da avaliação de hoje, é que as regiões poderão progredir para novos estágios de liberação. 

Parques estaduais também serão reabertos

Os parques estaduais localizados na capital, da Água Branca, Villa-Lobos, Candido Portinari, o Parque Estadual do Tietê, o Jardim Botânico, o Zoológico e o ZooSafari também serão reabertos a partir de segunda-feira, conforme disse o secretário estadual de Infraestrutura, Marcos Penido. O anúncio vai ao encontro com anúncio feito nesta quinta, 9, pelo prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que determinou a reabertura dos parques municipais, apenas nos dias úteis, a partir da próxima segunda-feira. 

Os parques estaduais irão funcionar das 10h às 16h, de segunda à sexta-feira. "Terão acesso controlado os parques da Água Branca, Villa-Lobos, Candido Portinari e o parque ecológico do Tietê", disse o secretário.  Ainda segundo Penido, o acesso a locais fechados dos parques (como bibliotecas, brinquedotecas e espaços para leitura) ficará fechado.

Já o secretário estaudual do Turismo, Vinicius Lummertz, afirmou que os parques temáticos, privados, poderão reabrir apenas na fasa verde, respeitando critérios que vão da limitação de público de 60% da capacidade, distanciamento de um metro e meio entre as pessoas e protocolos específicos para brinquedos que gerem aglomerações, além da obrigação de máscara para os usuários. 

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