Governo de SP/Divulgação
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Sem dar detalhes, Doria diz que toda população de SP será vacinada em 2021

Governo de São Paulo afirma que Coronavac atingiu índices exigidos pela OMS e Anvisa; novas informações devem ser divulgadas em coletiva nesta quinta-feira, no Instituto Butantã

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 10h47
Atualizado 06 de janeiro de 2021 | 19h38

Sem dar detalhes, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 6, acreditar que toda a população de São Paulo estará vacinada contra a covid-19 ainda em 2021. A expectativa é de que os dados de eficácia da vacina Coronavac sejam divulgados na quinta-feira, 7. O governo estadual ainda reconheceu a aceleração do contágio e cobrou respeito ao plano estadual de reabertura econômica - desrespeitado por algumas cidades, principalmente no litoral, nas festas de fim de ano.

Ele se reuniu na quarta-feira com os prefeitos dos 645 municípios paulistas para apresentar o plano de imunização. “Antes de terminar o ano, faremos uma terceira reunião (com os prefeitos) que esperamos fazer presencialmente, dado o fato que esperamos ter a imunização completa não só dos brasileiros de São Paulo, mas desejamos de todos os brasileiros em nosso País.” O Estado tem cerca de 46 milhões de habitantes. 

Doria prevê começar no dia 25 a imunização com a Coronavac, desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantã, mas o imunizante ainda falta a apresentação dos dados de eficácia e o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No fim de dezembro, o governo e o Butantã disseram que o imunizante superou o índice mínimo de eficácia exigido pelas agências regulatórias (50%), mas não deram o porcentual exato. 

Em 25 de janeiro, começam a ser receber doses profissionais de saúde, indígenas e quilombolas. A partir de 8 de fevereiro, serão imunizados idosos com 75 anos ou mais. Na semana seguinte, a partir do dia 15 de fevereiro, será a vez da população de 70 a 74 anos. A partir de 22 de fevereiro, receberá a imunização a faixa de 65 a 69 anos. Por fim, no dia 1º março, será o grupo com 60 a 64 anos. 

A previsão é vacinar 9 milhões de pessoas nessa 1ª fase, que vai até 28 de março - 7,5 milhões com 60 anos ou mais, além dos trabalhadores de saúde, indígenas e quilombolas. Não foi informado como será a vacinação dos demais grupos de risco da covid-19, como pacientes de doenças crônicas.

Serão duas doses por pessoa, com intervalo de 21 dias entre cada uma. Em dezembro, Doria afirmou que não será necessário comprovar residência no Estado para tomar a vacina.

Conforme o governo, além dos 5,2 mil postos de vacinação no Estado, poderão ser usados para imunização escolas, quartéis da Polícia Militar, terminais de ônibus, estações de trem, farmácias e postos drive-thru, o que elevaria para 10 mil os locais de aplicação de doses. Esses espaços funcionarão de segunda a sexta, das 7 às 22 horas, e aos sábados e domingos, das 7 às 17 horas.

O secretário de Saúde da capital, Edson Aparecido, disse à Rádio Eldorado prever capacidade de vacinar 600 mil pessoas por dia. “Vamos usar 12 mil funcionários de apoio, 15 mil enfermeiros e três mil pontos de vacinação. Fora as 468 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), hospitais, Amas (Assistência Médica Ambulatorial), igrejas e toda estrutura está montada. Já adquirimos 15 milhões de seringas, 14 milhões de agulhas, mais insumos utilizados”, afirmou. 

Cobrança. O governo estadual ainda pressionou os prefeitos sobre descumprimentos do Plano São Paulo - de flexibilização da quarentena. Doria havia determinado que todo o Estado voltasse à fase vermelha (a mais restritiva, em que só podem abrir serviços essenciais, como mercados e farmácias) nos dias 25, 26 e 27 de dezembro e nos dias 1º, 2 e 3 de janeiro. 

Mas parte das prefeituras - menos de 20, segundo o Estado - manteve o comércio aberto. Os prefeitos podem ser denunciados pelo Ministério Público. Entre os locais que descumpriram as regras, estiveram cidades como Santos, Guarujá, Ubatuba e São Sebastião, que receberam grande fluxo de turistas.

O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, disse que a desobediência terá consequência para os municípios. “Vamos priorizar aqueles que seguem o Plano São Paulo. Aqueles que forem irresponsáveis irão para o fim da fila nos atendimentos”, afirmou.

Mais tarde, Vinholi disse ao Estadão que a fala não se refere à vacinação ou outras ações essenciais, mas “na construção de parcerias” com essas prefeituras e afirmou que vão priorizar “ gestões responsáveis”. 

“Esperamos que essas exceções não mais aconteçam”, disse Doria. “Esse ano de 2021 será muito mais difícil do que imaginamos até outubro passado”, acrescentou. Segundo o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, dez hospitais paulistas atingiram a capacidade máxima com o avanço da covid este ano, mas não detalhou quais Ele disse que vai ampliar o total de leitos./COLABOROU RENATA OKUMURA

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