Divulgação/SMCS
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Quinze cidades da região de Rio Preto entram em lockdown a partir desta quarta-feira

Cerca de 50 prefeitos participaram de reunião virtual e número de adesões às medidas restritivas pode aumentar nos próximos dias. Rio Preto registrou 29 mortes e 991 casos de covid-19 nas últimas 24 horas

Daniele Jammal, especial para o Estadão

15 de março de 2021 | 19h34
Atualizado 16 de março de 2021 | 14h30

Com quase 100% dos leitos ocupados, 15 cidades da região noroeste paulista vão entrar em lockdown a partir da próxima quarta-feira, 17. A maior delas, São José do Rio Preto, confirmou nas últimas 24 horas mais 29 mortes e 991 casos de covid-19.

Além de Rio Preto, Ibirá, Nova Aliança, Nova Granada, Palestina, Mira Estrela, Icém, Guapiaçu, Monte Aprazível, Jales, Bady Bassitt, Orindiuva, Mendonça, José Bonifácio e Sales anunciaram de imediato, em videoconferência coordenada pelo prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), que vão aderir à medida. Ao todo, 48 prefeitos participaram da reunião virtual e a expectativa é de que o número de adesões aumente nas próximas horas.

De acordo com Edinho, a minuta do decreto deve ser finalizada nesta terça, 16, e vai servir de base para os decretos dos demais municípios. O prefeito de Rio Preto já antecipou que as medidas devem ser mais severas nos cinco primeiros dias (de 17 a 21 de março) prevendo a partir daí a flexibilização gradativa de alguns serviços.

O lockdown foi apontado pelo Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus como a “única possibilidade” para conter o avanço da doença. Rio Preto contabiliza, desde o início da pandemia, 51.631 infectados e 1.232 óbitos.

Em uma reunião de emergência na manhã de domingo, 14, o Comitê informou ao chefe do Executivo rio-pretense sobre o agravamento da transmissão do vírus e o colapso iminente no sistema de saúde.

Os técnicos alertaram ainda da necessidade da regionalização do lockdown. Para convencer as cidades vizinhas a seguirem as medidas, Edinho organizou o encontro online.

“Estamos vivendo o pior momento da pandemia, com o sistema de saúde à beira de um colapso, e num momento em que faltam até insumos no mercado para a abertura de novos leitos”, declarou Edinho.

O diretor do Hospital de Base, Jorge Fares, afirmou aos prefeitos que o colapso é iminente e que a ocupação chega próxima dos 100% e defendeu medidas restritivas de caráter regional como a única forma de frear o avanço da doença. “O HB atende a 102 municípios da região e não tem como receber mais pacientes graves”, frisou Fares.  

Para a diretora da Divisão Regional de Saúde de Rio Preto, Silvia Storti, “as medidas anunciadas pelo prefeito Edinho são corajosas e necessárias”.

Mercados e postos lotados

Logo nas primeiras horas da manhã, o anúncio do lockdown provocou uma corrida de consumidores a postos de combustíveis, supermercados e hipermercados. A Apas (Associação Paulista de Supermercados) se pronunciou a respeito, afirmando que as pessoas não precisam se desesperar, pois os estabelecimentos vão funcionar em sistema de delivery. A entidade destacou que o aumento inesperado da demanda ocasionou desabastecimento temporário.

“Ninguém esperava essa corrida às compras e por isso alguns estabelecimentos ficaram sem produtos hoje. É uma questão de logística. O planejamento é semanal e fomos surpreendidos. A população não precisa estocar comida em casa, porque a fase mais restritiva do lockdown deve durar cinco dias”, destacou o diretor regional da Apas, José Luís Sanches.

Além das filas ao redor dos mercados, o movimento de clientes também foi intenso em postos de combustíveis. Em um deles, com 32 bicos para abastecimento, havia mais de 50 motoristas aguardando atendimento. Muitos levaram galões para ter um estoque extra de etanol ou gasolina.  

Mortes à espera de leitos

Pelo menos seis pessoas tiveram as mortes confirmadas hoje na região enquanto esperavam vagas em UTI para tratamento do novo coronavírus. Hipertenso e diabético, Manuel Teixeira, de 83 anos, não resistiu à espera em Nhandeara.

Internada desde o último dia 9, na Santa Casa de Santa Adélia, onde aguardava transferência para UTI de hospital de referência, Leonor Colavite Steani, de 93 anos, não conseguiu esperar. Sem revelar as identidades, a prefeitura de Ouroeste confirmou que quatro pacientes infectados pelo vírus morreram sem terem conseguido leitos.  

Nathália Claudino de Oliveira, de 23 anos, é uma das 39 vítimas fatais do novo coronavírus em Guapiaçu, cidade vizinha a Rio Preto, com 21.775 habitantes e que até o último sábado tinha 1.719 casos confirmados da doença. A jovem, que não tinha comorbidades, estava grávida de quatro meses do terceiro filho. Deixou uma menina de oito anos e um garoto de cinco. Seu marido, Danilo de Paula, e outros 11 familiares também foram contaminados pelo vírus.  

“Perdi a minha companheira de todas as horas. A saudade vai me torturar todos os dias. Queria te dar um último abraço. Vou cuidar dos nossos filhos e seguir o seu legado a respeito da educação deles”, postou Danilo nas redes sociais.

Os primeiros sintomas apareceram no dia 20 de fevereiro e o óbito aconteceu no dia 11 de março, no Hospital de Base (HB) de Rio Preto. Levada à Unidade Básica de Saúde de Guapiaçu, Nathália, que sonhava em voltar a estudar, foi encaminhada para o HCM (Hospital da Criança e Maternidade) rio-pretense, onde recebeu atendimento, sendo liberada em seguida.

Aproximadamente 30 horas mais tarde, voltou a se sentir mal e retornou ao HCM, sendo transferida para o HB, onde ficou internada primeiro na enfermaria e com a piora no seu estado de saúde foi para a UTI.

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