Droga experimental contra o Ebola chega à Libéria

Soros ZMapp serão utilizados na recuperação de dois médicos liberianos infectados pelo vírus; Nigéria confirmou mais um caso

O Estado de S. Paulo

14 Agosto 2014 | 12h51

MONRÓVIA - A Libéria confirmou nesta quinta-feira, 14, o recebimento dos soros experimentais ZMapp, que serão utilizados no tratamento de dois médicos liberianos infectados com o Ebola. Segundo relato da emissora estatal LBS, as doses foram fabricadas nos Estados Unidos e foram pedidas pela presidente Ellen Johnson Sirleaf. Nesta quinta-feira, a Nigéria confirmou mais um caso do vírus no país e a Korean Air Lines suspendeu voos para o Quênia para evitar a transmissão do Ebola. 

Os médicos que receberão o tratamento com o ZMapp, Abraham Borbor e Philip Irlanda, foram infectados enquanto trabalhavam no Hospital John F. Kennedy, em Monróvia, um dos grandes centros de tratamento e isolamento para os doentes de Ebola no país. "Nós já sabíamos que a droga foi usada nos americanos que contraíram a doença aqui, portanto (a droga) seria bem-vinda", disse a presidente da Libéria.

O ZMapp, que nunca antes tinha sido testado em humanos, foi fornecida a dois cidadãos americanos infectados na Libéria, o médico Kent Brantly e a missionária Nancy Writebol. Desde então, ambos têm apresentado melhoras em seu estado de saúde. No entanto, Miguel Pajares, o espanhol religioso repatriado depois de ser infectado pelo vírus da Libéria, morreu na terça-feira, 12, em Madri, apenas três dias depois de começar a receber o mesmo soro experimental. Na quarta-feira, 13, o Canadá também anunciou que doará à Organização Mundial de Saúde (OMS) até mil doses da droga experimental para uso na África Ocidental.

A empresa NewLink Genetics afirmou nesta quarta-feira que já existem doses suficientes para testar a vacina do Ebola com segurança em um ser humano. A vacina foi desenvolvida por cientistas do governo canadense. De acordo com o Dr. Charles Link, presidente-executivo da corporação, a NewLink possui duas empresas (possivelmente três no futuro) que são confiáveis para produzir dezenas de milhares de doses de vacina dentro de "um mês ou dois". 

Nigéria. O ministro da Saúde da Nigéria, Onyebuchi Chukwu, confirmou mais um caso de Ebola, nesta quinta-feira, em Abuja. O paciente é mais uma pessoa que teve contato com Patrick Sawyer, o liberiano-americano que foi a primeira vítima fatal do vírus em território nigeriano. O caso eleva para 11 o total de pessoas com confirmação de Ebola no país. 

Uma enfermeira que foi diagnosticada com o vírus e que teve contato com Sawyer ignorou a quarentena em Lagos e foi para sua casa na cidade do sudeste de Enugu. Ela era suspeita de ter tido contato com outras 20 pessoas. No entanto, Chukwu disse após triagem inicial, que apenas seis pessoas tiveram contato com a enfermeira e todos foram colocados sob vigilância. O governo também anunciou que o Dangote Group, uma empresa privada nigeriana de propriedade do homem mais rico da África, Aliko Dangote, havia doado US$ 150 milhões para evitar a propagação do vírus. 

Voos suspensos. A Korean Air Lines comunicou nesta quinta-feira a suspensão de todos os voos em direção ao Quênia. Segundo a companhia aérea, os voos entre Incheon e Nairóbi serão suspensos temporariamente a partir de 20 de agosto, uma medida para evitar a propagação do vírus. Não foram relatados casos no Quênia, mas o Aeroporto Internacional de Nairóbi é a principal porta de entrada para a África Oriental. O voo para Nairóbi é o único destino da Korean Air Lines na África. O comunicado não diz quando o serviço será retomado./FÁBIO ROSSINI, ESPECIAL PARA O ESTADO, COM EFE E REUTERS

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