Reprodução AMAG Pharmaceuticals
Reprodução AMAG Pharmaceuticals

Droga para estimular libido feminina é aprovada nos Estados Unidos

Agência Federal de Vigilância Sanitária dos EUA aprovou o produto Vyleesi; medicamento deve ser usado 45 minutos antes da relação sexual 

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2019 | 15h39

A Agência Federal de Vigilância Sanitária dos Estados Unidos (FDA) aprovou uma nova droga para estimular a libido feminina. Trata-se do único medicamento autorizado além do Addyi, que começou a ser comercializado em 2015.

O produto, chamado Vyleesi, será vendido pela AMAG Pharmaceuticals e deve ser usado 45 minutos antes da relação sexual por meio de uma caneta autoinjetável administrado na coxa ou no abdômen.

"Estamos obviamente entusiasmados em trazer mais uma opção para as pacientes", disse a Dra. Julie Krop, diretora da área médica da AMAC, empresa com sede em Waltham, Massachusetts.

"Essas mulheres têm sofrido muito, quase sempre em silêncio, por causa de um problema que é estigmatizado e muitas não sabem que é algo tratável".

Durante anos a FDA vem sendo pressionada para incentivar mais tratamentos para mulheres com libido baixa - um problema conhecido como transtorno de desejo sexual hipoativo. Remédios para homens com problemas de disfunção erétil já chegaram ao mercado há duas décadas.

Mas os tratamentos para mulheres sempre suscitaram controvérsias. O primeiro produto, Addyi, foi aprovado em meio a uma campanha publicitária patrocinada pela indústria acusando seus detratores de sexistas. Mas alguns oponentes afirmavam que os riscos da droga superavam seus benefícios. O Addyi deve ser tomado diariamente e não pode ser usado com álcool, pois pode causar desmaios.

Logo depois de começar a ser vendido, o produto foi adquirido pela Valeant Pharmaceuticals por US$ 1 bilhão, que não o promoveu. O Addyi foi depois revendido para os proprietários originais em 2017, e as vendas têm sido fracas.

Executivos da companhia não informaram o preço pelo qual o Vyleesi será vendido e que fornecerão mais detalhes quando a droga ingressar no mercado no final deste ano. Eles esperam que as companhias de seguro cubram o valor do remédio do mesmo modo que o Addyi e os medicamentos para disfunção erétil. Mas a cobertura desses remédios pelos planos de saúde comerciais é variada.

A companhia, que produz outros produtos para a saúde da mulher, calcula que quase seis milhões de americanas na fase de pré-menopausa sofrem com a falta de libido, condição que na maior parte não é tratada. O mercado pode se traduzir em US$ 35 milhões por ano para cada 1% de pacientes afetadas que utilizarem seu produto. A droga foi desenvolvida pela Palatin Technologis, que a licenciou para a AMG vende-la na América do Norte em 2017.

O Vyleesi, conhecido também como bremelanotida, tem algumas vantagens em relação ao Addyi. É aplicado somente antes da relação sexual e pode ser usado junto com bebida alcoólica. Mas ele também tem algumas desvantagens - envolve a aplicação de injeção e em ensaios clínicos 40% das mulheres participantes sentiram náusea ao aplica-lo. Ao todo, 18% de mulheres abandonaram o teste, incluindo 8% que deixaram de participar por causa de náuseas.

A droga mostrou que melhora o sentimento de desejo das mulheres e reduz sua angústia com relação a ter sexo, mas não aumentou o número de "eventos sexualmente satisfatórios" que fossem estatisticamente significativos.

A Dra. Julie Krop, da AMAG, disse que a FDA não exige mais que as empresas que testam medicamentos para a baixa libido feminina façam uma contagem da quantidade de vezes que as mulheres têm uma relação sexual como medida de avaliação primária. Isto porque, disse ela, as mulheres com baixo desejo sexual continuam a ter relações com seus parceiros, somente não desfrutam da relação. "Muitas vezes elas têm a relação por pena ou obrigação porque desejam manter o relacionamento.

O problema é que ficam aflitas com esse tipo de relação sexual que estão tendo".

Alguns críticos do setor farmacêutico questionaram se o Vyleesi não seria o mais recente exemplo de uma companhia promovendo uma solução farmacêutica para algo que, na realidade, é muito mais complexo.

"Acho que vale a pena observar um nível de libido que é influenciado socialmente", disse a Dra. Adriane Fugh-Berman, professora no departamento de farmacologia e fisiologia do Medical Center da Georgetown University. "Fazer com que as mulheres se preocupem menos com o sexo ruim que estão tendo é um objetivo questionável"./Tradução de Terezinha Martino

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