Droga usada para tratar diabete também pode evitar a doença

Uma droga usada para o tratamento da diabete parece também evitar o aparecimento da doença em pessoas que correm alto risco de desenvolvê-la, mostra o maior estudo já realizado sobre o assunto. A droga, rosiglitazona, aparentemente corta o risco de desenvolver diabete pela metade. Ela também ajudou a restaurar o nível normal de açúcar no sangue em muitos participantes do estudo. Uma segunda parte do trabalho descobriu que outra droga, ramipril, não muda o risco de desenvolver diabete, mas ajuda a normalizar o açúcar do sangue em alguns casos. Os resultados da pesquisa eram muito aguardados, e a descoberta sobre a rosiglitazona parece impressionante, mas especialistas advertem que é difícil avaliar o impacto exato da droga, porque os participantes do estudo também receberam aconselhamento sobre dieta e estilo de vida saudável. "Sabemos que só mudar o estilo de vida pode reduzir o risco de diabete em até 58%", disse o médico Martin Abrahamson, diretor do Centro Joslin de Diabete em Boston, que não participou do estudo. E esses benefícios vêm sem o custo extra da droga, lembra outro médico, Alvin Powers, do Centro Médico da Universidade Vanderbilt. A diabete tipo 2, a forma mais comum da doença e o tipo ligado à obesidade, é um problema de saúde pública em escala mundial. Estima-se que 220 milhões de pessoas em todo o planeta tenham a doença, que pode levar a falência renal, amputações e morte. Os resultados do estudo foram apresentados hoje durante uma conferência sobre diabete realizada na Dinamarca. Os resultados sobre a rosiglitazona foram publicados online na revista médica The Lancet. A parte sobre o ramipril, no New England Journal of Medicine, também online. O estudo foi financiado pelos Institutos de Pesquisa em Saúde do Canadá, e empresas que produzem as drogas. Alguns dos cientistas envolvidos prestam consultoria para os laboratórios. O trabalho acompanhou cerca de 5.000 pessoas com "pré-diabete", ou anomalias na concentração de açúcar no sangue. Pesquisas sugerem que pelo menos metade delas viriam a ter diabete tipo 2 ao longo de três anos. Médicos deram aos pré-diabéticos uma das duas drogas testadas , uma combinação de ambas ou nenhum remédio. Resultados do tratamento combinado não foram divulgados. Na parte do estudo publicada na Lancet, 306 dos 2.365 voluntários que tomaram rosiglitazona por um período médio de três anos tiveram diabete ou morreram, contra 686 dos 2.634 que não receberam a droga. Mas 14 dos que tomaram essa droga desenvolveram problemas cardíacos, contra apenas dois dos que não receberam o remédio.

Agencia Estado,

15 de setembro de 2006 | 16h17

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