DST-Aids não vê preconceito em norma da Anvisa

Numa reunião acalorada na noite de anteontem com ativistas do movimento gay, o Programa Nacional de DST-Aids defendeu a manutenção da norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que impede a doação de sangue de homens que fizeram sexo com homens nos 12 meses anteriores. A restrição, considerada por muitos integrantes do movimento como preconceituosa, hoje é alvo de um processo na Justiça. Ativistas obtiveram em julho uma liminar derrubando as restrições para doação de sangue. Mas, há duas semanas, a Anvisa ganhou um recurso. Com isso, hemocentros podem voltar a questionar os doadores sobre comportamentos ou situações de risco. Para tentar acalmar os ânimos, reduzir a polêmica e impedir que a batalha jurídica se intensifique, ativistas e integrantes do programa se reuniram. 'Não se trata de preconceito. Há comportamentos e grupos determinados que apresentam um risco maior de se contaminar, seja por HIV, seja por hepatite', afirmou a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão. E isso, afirma, não ocorre apenas com homens que fazem sexo com homens. 'Há restrições para quem faz tatuagens, piercings, por exemplo.' A coordenadora cita estudos que mostram que homens que fazem sexo com homens têm um risco maior, quando comparados com heterossexuais, de se infectar pelo HIV. Um trabalho apresentado recentemente, pelo ativista Jorge Beloqui, indica que o risco de desenvolver aids entre gays é 18 vezes maior do que entre heterossexuais. Grupos que defendem direitos de homossexuais, no entanto, consideram ofensivo o questionamento. 'Esse problema pode de fato ocorrer. Sugerimos fazer um padrão único de entrevista e treinamentos para funcionários dos hemocentros', afirmou Mariangela. A idéia é que a Comissão Nacional de Aids participe da criação de um formulário único. 'A luta contra aids passa também pela luta contra homofobia. Mas é preciso que questões técnicas sejam respeitadas', observa. 'A triagem existe justamente por isso. Vale para todas as situações de risco acrescido. Seja para homens que fazem sexo com homens, seja para tatuados.'

Agencia Estado,

14 de setembro de 2006 | 10h05

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