Pius Utomi Ekpei/AFP
Pius Utomi Ekpei/AFP

Duas pessoas são internadas por intoxicação com cloroquina na Nigéria

O remédio, usado contra a malária, está sendo testado para tratar a covid-19

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 14h01

Ao menos dois intoxicados com cloroquina, um medicamento utilizado no tratamento contra a malária e agora testado para curar o coronavírus, foram admitidos em hospitais de Lagos, a capital econômica da Nigéria, informaram na sexta-feira as autoridades locais.

A cloroquina, usada há décadas contra a malária, está passando por testes clínicos animadores em um pequeno número de pacientes na China e na França como um possível tratamento contra a covid-19.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a anunciar que o País usará a cloroquina de forma iminente para lutar contra o coronavírus e disse esperar que o remédio "esteja disponível quase imediatamente". No entanto, muitos especialistas pediram cautela ao enfatizar a ausência de dados clínicos sólidos sobre seus efeitos.

"Durante vários dias, muitas mensagens circulam nas redes sociais exaltando os efeitos da cloroquina para curar o coronavírus e descobrimos que o medicamento não está disponível em muitos bairros de Lagos", disse Ore Awokoya, assessor de saúde do governador de Lagos. "Mas após as declarações de Donald Trump sobre esse medicamento, isso tomou outra dimensão. As pessoas foram às farmácias para comprar cloroquina", acrescentou.

"Estamos preocupados que a maioria deles vá tomar medicação sem nenhum controle ou ideia da dose no caso do coronavírus", diz o responsável. "Já temos dois casos de envenenamento hospitalizados em Lagos, mas certamente haverá mais casos nos próximos dias", acrescentou.

A cloroquina, comercializada sob nomes diferentes, dependendo do país, é frequentemente recomendada em viagens a locais infestados pelo mosquito da malária Anopheles. / AFP

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