Reproducao / TV Globo
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Duque de Caxias tem filas quilométricas de carros após prefeito baixar idade mínima de vacinação

O município da baixada fluminense disponibilizou pouco mais de seis mil doses de vacinas, mas há mais de 85 mil pessoas acima de 60 anos na cidade e autorizadas a receber o imunizante neste momento

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2021 | 09h28

RIO - Depois que o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), reduziu nesta sexta-feira, 5, de 80 para 60 anos a idade mínima para vacinação contra a covid-19, idosos formaram filas de até oito horas para tomar o imunizante na cidade. Muitos nem eram de lá: não era exigido comprovante de residência, e formaram-se quilômetros de engarrafamentos de veículos com passageiros de cabelos brancos. Embora os moradores do município na faixa de idade beneficiada sejam , segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 85 mil, havia apenas 7,5 mil doses.

O anúncio de que qualquer pessoa com mais de 60 anos poderia se vacinar foi feito na quinta-feira. No início da manhã desta sexta, primeiro dia da medida, as principais vias de acesso ao local ficaram completamente congestionadas. Muitos chegaram de madrugada.

"Somos de Santa Cruz (zona oeste da capital), chegamos às 5h da manhã. A fila é muito grande, né? Mas vai ter vacina pra todo mundo", disse, por volta das 13h o pedreiro Antônio Vilela, de 62 anos, acompanhado da mulher, ao volante de um Sandero. Antes de eles serem vacinados, porém, ainda tiveram de esperar mais nove veículos andarem à sua frente.

Nos locais onde as vacinas eram aplicadas, centenas de idosos se aglomeravam. E não era incomum ver pessoas sem máscaras, inclusive agentes com coletes da prefeitura.

"Saí de casa às 5h30 e chegamos às 6h15 na fila dos carros. Ficamos até umas 9h, aí veio o agente de trânsito e falou que tinham acabado as vacinas. Voltamos pra casa, mas aí vimos na televisão que ainda tinha aqui (no Centro de Xerém, distrito de Duque de Caxias) e viemos tentar novamente", relatou Zilá Almeida Freitas, que este mês fará 70 anos. Ela se mantinha em pé, em uma tarde escaldante, apoiada em uma muleta.

O aumento súbito do grupo de pessoas aptas a receber a vacina levou o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) a emitir uma recomendação ao município ainda na quinta-feira. No texto, o órgão pede que seja observado o Plano Nacional de Imunização. O PNI estabelece como grupo prioritário pessoas acima de 60 anos, mas faz ressalvas.

No ofício, o MPRJ alerta que "a taxa de letalidade por covid-19 é maior de acordo com a elevação da faixa etária, de modo que um idoso com 79 anos é mais vulnerável, em tese, do que outro com 60 anos". O órgão recomenda "priorizar as idades mais elevadas dentre a faixa etária de 80 a 60 anos, (...), evitando, desta forma, que pessoas mais jovens sejam vacinadas antes de pessoas mais idosas".

Em nota, a prefeitura de Duque de Caxias informou que priorizou pessoas com mais de 80 anos. Mas, afirmou, "após um mês de campanha, a procura pelos pontos de vacinação pelos idosos dessa faixa etária diminuiu consideravelmente, demonstrando que a maior parte do público-alvo já tinha sido beneficiada".

 

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