José Cruz/Agência Brasil
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Dúvida sobre risco de microcefalia pode reduzir natalidade, diz ministério

Documento do governo alerta para possibilidade de as mulheres, diante das incertezas, adiarem planos de filhos ou interromperem a gravidez

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2016 | 20h44

BRASÍLIA - A falta de uma resposta clara sobre qual é o risco de uma gestante com zika ter o bebê com microcefalia pode reduzir as taxas de natalidade do País e aumentar os índices de morte materna ou de mulheres em idade fértil, avalia estudo feito pelo Ministério da Saúde. O documento, divulgado nesta quinta-feira, 10, alerta para a possibilidade de as mulheres, diante das incertezas, adiarem os planos de ter filhos ou interromperem a gravidez. 

A taxa de natalidade já está em queda no País. O fenômeno é visto com preocupação por ter impacto também na economia brasileira. Os indicadores de mortalidade materna, por sua vez, estão estacionados em um patamar muito elevado. 

Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de se ampliar ações para prevenir a contaminação pelo vírus, garantir técnicas de planejamento familiar e de diagnóstico específico da doença. O documento também aponta para a importância de se garantir a assistência aos bebês com má-formação e a inclusão de benefícios e apoio para familiares.

A coordenadora geral do Programa Nacional de Malária e Dengue do Ministério da Saúde, Ana Carolina Santeli, uma das autoras do trabalho, afirmou que desde o início da epidemia, foram identificados 16.696 casos de zika em gestante. Desse total, 10.325 foram confirmados. A maior incidência de casos de zika em gestantes ocorreu no Mato Grosso, com 142 casos a cada 100 mil habitantes. No Rio, foram 88,1 casos a cada 100 mil habitantes e no Rio Grande do Norte, 62 casos a cada 100 mil. O número também é expressivo nos Estados de Minas, Goiás, Bahia e Minas.

De acordo com levantamento, o número de casos de zika predomina mais entre mulheres do que em homens e atinge, em sua maioria, a população com idade entre 20 a 39 anos. O trabalho indica que quase metade dos casos de zika ocorre entre mulheres de cor parda e com ensino médio completo ou incompleto. "É importante observar, no entanto, que isso não significa um risco maior para esse grupo. Os dados coincidem com a população em geral", disse Ana Carolina.

O mesmo não ocorre com relação à microcefalia. Uma análise feita por Maria de Fátima Marinho, do Ministério da Saúde, mostra que a taxa de prevalência de bebês com microcefalia é maior entre mães na faixa etária até 24 anos, de cor negra e com até sete anos de escolaridade.

Os dados sobre concessão de benefício de prestação continuada para bebês com microcefalia também confirmam a prevalência de casos entre a população economicamente menos favorecida. O benefício é dado para crianças que comprovadamente apresentem a síndrome pertencentes a famílias cuja renda per capita seja inferior a um quarto de salário mínimo. Foram concedidos até o momento 1.430 benefícios - o equivalente a 67% dos casos confirmados. Há ainda outros 294  em fase de análise. "Os dados falam por si só", disse a assessora da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério, Mariana Leal.

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