Tiago Queiroz/ Estadão
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Análise: E as escolas não vão abrir nunca mais?

O caminho da pandemia exige alternativas mais criativas e temos que garantir que as crianças não sofram por nossa incapacidade de tomar decisões corretas

Gonzalo Vecina*, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2021 | 05h00

Estamos sem aulas há um ano. Este ano não será diferente do ponto de vista de pandemia. Seguiremos com a doença e com as consequências de nossos atos. Sem isolamento social, a consequência sempre será mais casos e daí mais mortes. Por isso essa sequência fúnebre é fruto de nossas decisões. As escolas podem ficar fechadas. Mas bares e restaurantes, festas, cinemas e shoppings devem ficar abertos!

Nos países mais civilizados, as escolas abriram e, quando o número de casos começou a crescer, fecharam e creio que dentro em pouco abrirão de novo. A decisão parece ser - escolas são prioritárias e devem ficar abertas, mas se o risco for muito alto, as fecharemos. Crianças são a prioridade. E os professores? Podem morrer?

Com certeza não. Os idosos e os pertencentes a grupos de risco ficam em casa e trabalham de lá. Quem define quem vai e quem fica? E os alunos que têm pais idosos? Que fazer com eles? Creio que estas questões têm sido mal respondidas. Pois as temos respondido de forma ignorante e única. As escolas são diferentes e as soluções devem ser diferentes - a cada escola uma solução!

Assim tem sido feito para viabilizar o funcionamento das escolas privadas - pais e professores são os responsáveis pela vida dos alunos, de seus idosos e professores. Não há como ter solução única tomada pelo prefeito, governador ou secretário. A analise dos problemas deve ser local, e igualmente as soluções. E de passagem afirmo, não só para as questões de covid: a gestão local das escolas será melhor se executada localmente por pais, professores e gestores. Estamos cheios de exemplos de escolas de sucesso que têm como característica marcante a solução local, à distancia das pesadas maquinas burocráticas centralizadas.

O caminho da pandemia exige alternativas mais criativas; passa e passará por idas e vindas, aberturas e retrações. Mas temos que garantir que as crianças não sofram por nossa incapacidade de tomar decisões corretas. Volta às aulas já! Com a transformação dos professores e trabalhadores da educação em grupo prioritário para a vacinação.

*FUNDADOR E EX-PRESIDENTE DA ANVISA, EX-SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SP E PROFESSOR DO MESTRADO PROFISSIONAL DA EAESP/FGV E DA FSP

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