E-mail provoca dependência e pode prejudicar a saúde

Se um Blackberry (provedor de serviços de internet) constou de sua lista de pedidos de Natal, você pode estar fadado a um 2006 estressante. Segundo uma pesquisa da Symantec Corporation, espantosos três quartos de todos nós acham o e-mail viciante e prejudicial à saúde. O problema é tão grave que uma em cada cinco pessoas entra na categoria de ?dependente?. Estas checam compulsivamente seus e-mails e entram em pânico quando ficam sem acesso. Os dependentes fazem sua primeira checagem já às 6 da manhã e só conseguem dar boa-noite à sua caixa de mensagens à meia-noite, segundo o estudo. ?O e-mail pode nos trazer grandes benefícios e nos ajudar na vida profissional diária, mas os usuários precisam tomar cuidado com a maneira como o utilizam e a quantidade de tempo que gastam nisso?, diz Lindsey Armstrong, vice-presidente sênior da Symantec. ?O e-mail jamais deveria ser um impedimento.? Essa recomendação pode ser inócua quando se considera que 2005 assistiu a um aumento sem precedente do número de mensagens com que as pessoas têm de lidar. Nas empresas entrevistadas, o aumento médio do volume foi de 47%. O resultado é que mais da metade dos indivíduos gasta hoje mais de duas horas enviando e recebendo mensagens, e uma em cada seis gasta seis horas por dia - o equivalente a mais de dois dias de trabalho por semana. Muitas pessoas não deixam de verificar seus e-mails de fora do trabalho mesmo quando estão de férias ou afastadas para tratamento de saúde. ?Há múltiplos fatores que ajudaram a contribuir para a epidemia de vício em e-mail que estamos vivendo?, diz Lindsey. ?O e-mail é agora bem mais que uma simples ferramenta de comunicações. Os indivíduos o usam para administrar suas agendas e contatos, delegar ações e até como um registro formal de acontecimentos.? Os e-mails internos se tornaram uma característica comum na cultura de transferir responsabilidade vigente em empresas. ?Você não viu o e-mail que eu lhe enviei na semana passada? Estava tudo lá?, é uma resposta comum entre pessoas que tentam cobrir sua retaguarda com os e-mails que enviam. ?O e-mail se tornou todo um novo playground para administradores maquiavélicos lidarem com toda sorte de problemas?, diz o psicólogo empresarial Andrew West. ?As pessoas alimentam a idéia de que precisam verificar constantemente seus e-mails para livrar a cara.? Ele diz que a relação de amor e ódio com o e-mail pode ser difícil de desfazer. ?Existe um fator confortador em receber e-mails, um sentimento de que as pessoas gostam de você o bastante para enviá-los. Mas os que você não deseja podem deixá-lo muito agitado. É uma relação muito contraditória.? Uma outra pesquisa revela que nosso vício é tão grande que, às vezes, 30 minutos sem acesso deixam a pessoa irritada. Ou seja, descobriu-se que o e-mail , apesar de todas as vantagens, pode ser um grande catalisador de stress no ambiente de trabalho. ?O fato de que o dia de trabalho está sendo esticado pela necessidade de administrar o volume crescente de e-mails e de que muitas pessoas sentem que não podem escapar do trabalho mesmo quando estão em suas casas também é ruim para nossa saúde?, diz Guy Bunker, diretor científico da Symantec.

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