É mais seguro manter a obrigatoriedade da máscara para avaliar o impacto do carnaval; leia análise

É mais seguro manter a obrigatoriedade da máscara para avaliar o impacto do carnaval; leia análise

Nova grande onda da covid-19 é difícil, mas velocidade da queda de transmissão pode diminuir se o uso da proteção facial for flexibilizado

Alexandre Zavascki*, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2022 | 05h00

Obviamente, em algum momento, com a melhora da pandemia, a gente vai poder flexibilizar o uso de máscaras. A questão toda é saber justamente qual é o objetivo que se quer atingir para poder considerar que é seguro tirar as máscaras. Embora a taxa de infecções esteja caindo, nós ainda temos uma taxa relativamente alta. Talvez nesse momento ainda seja mais seguro manter a obrigatoriedade por um período de mais duas, três, quatro semanas, sobretudo para avaliar o impacto do período de carnaval.

O ideal seria deixar as curvas estabilizarem, ver onde elas vão parar. Porque se continua com obrigatoriedade das máscaras e os indicadores continuam caindo um pouco mais, é muito mais vantajoso tirar quando as taxas já estiverem baixas. Acho que não vai ter uma nova grande onda, mas a velocidade da queda pode diminuir se a máscara deixar de ser obrigatório. A medida ainda pode ser adiada por algumas semanas. Começar por ambientes abertos, vale destacar, é uma medida correta, já que o impacto é menor do que se flexibilizar em locais fechados.

Mas é muitíssimo improvável que o coronavírus, mesmo baixando a contaminação, vá embora. Ele vai ficar. Vai ter sempre uma população mais suscetível. Os idosos estão sofrendo muito com a Ômicron, os imunossuprimidos. Esses pacientes vão estar sempre com uma ameaça. Mesmo vacinados, vão ficar com um risco maior de complicação grave. Então, quais níveis vamos aceitar para poder prescindir de máscaras em locais fechados, por exemplo?

É uma discussão que a sociedade precisa ter. E se métricas têm sido feitas para tomar essas decisões no País, elas não têm sido divulgadas. O CDC divulgou métricas para liberação, por exemplo. Você pode criticá-las, mas as pessoas conseguem debater sobre elas. O que a gente vê no Brasil é cada governador fazendo de um jeito, sem planejamento. Em Santa Catarina, o governo tirou a obrigatoriedade para crianças de 6 a 12 anos em escolas. Não tem muito sentido tirar na escola, que é um ambiente de risco. A máscara é uma medida importante. Dá para flexibilizar em breve, mas antes é fundamental ter níveis realmente baixos.

*INFECTOLOGISTA E PROFESSOR DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)

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