Tiago Queiroz/Estadão - 1/7/2021
Tiago Queiroz/Estadão - 1/7/2021

É preciso adiar a viagem internacional? Veja o que dizem infectologistas

Quarta onda na Europa, aumento de casos nos Estados Unidos e nova variante detectada na África do Sul preocupam

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 | 05h00
Atualizado 30 de novembro de 2021 | 18h23

Infectologistas recomendam repensar e, se possível, adiar viagens para o exterior diante da alta de casos de covid-19 na Europa e a detecção de uma nova variante na África do Sul. Nos últimos dias, países como Alemanha, Holanda e Áustria identificaram aumento de infecções. Amostras da nova cepa, batizada de Ômicron, também foram detectadas na Bélgica e em Israel. A nova variante, com grande número de mutações, preocupa a Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades locais.

Nesta terça-feira, 30, a OMS desaconselhou viagens para pessoas com saúde mais vulnerável.  "Pessoas doentes ou sob risco de desenvolver a forma grave da doença e morrer, incluindo pessoas de mais de 60 anos e aquelas com comorbidades (como doença cardíaca, câncer e diabete), devem ser aconselhadas a adiar viagens", informou a OMS em um comunicado sobre a Ômicron

"A menos que seja viagem de trabalho ou por razões de saúde, não é o momento mais adequado", diz o infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). Ele lembra que Europa e Estados Unidos estão vivendo um momento de aceleração da pandemia. "Obviamente as pessoas que viajarem estarão vacinadas, mas acho difícil que usem máscara, que se preservem. E, com o espalhamento da variante recém descrita, acho realmente que as pessoas deveriam repensar", completa Stanislau. 

Na Europa, o aumento de infecções é atribuído à prevalência da variante Delta, a reuniões de pessoas em ambientes fechados, grupos de não vacinados e proteção em declínio entre aqueles que foram imunizados há mais tempo. Países como a Áustria impuseram restrições severas aos seus cidadãos. Na Alemanha, o ministro da Saúde em exercício classificou a situação como "mais grave do que nunca".

Para Carlos Magno Fortaleza, infectologista e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a recomendação de não viajar agora vale tanto para Europa e Estados Unidos quanto para África e Ásia. Ele lembra que voos para países da Ásia, como o Japão, passam em geral por aeroportos com grande concentração de pessoas de todos os continentes - o de Dubai é um exemplo.

Quem já comprou passagens para o fim do ano ou início de 2022 pode monitorar o avanço da pandemia nas próximas semanas para tomar uma decisão sobre a viagem. Para quem não comprou ainda, a orientação é esperar e acompanhar a evolução da doença. E quem está com viagem marcada nos próximos dias, na opinião de Fortaleza, não deve ir.

"Sei que é difícil dizer isso para pessoas trancafiadas há dois anos", afirma o infectologista da Unesp. "Mas se eu tivesse passagem comprada para a Europa amanhã, não iria." Deslocamentos para países na América do Sul ou para cidades dentro do Brasil, por enquanto, são menos arriscados, na opinião do médico.  

Fortaleza lembra que, apesar de os passageiros de voos serem submetidos a testes, esses exames funcionam como uma "fotografia" do momento. Um resultado negativo não significa que o passageiro está livre de transmitir o coronavírus nas horas seguintes. "Em um voo que dura 12 horas, 20 horas, as pessoas acabam se expondo e a viagem aérea é um espaço de transmissão", diz Fortaleza.

Para Stanislau, da USP, as pessoas que mesmo assim decidirem fazer viagens internacionais devem usar máscaras do tipo PFF2, que filtram mais partículas, dentro do avião e em transportes públicos nos países visitados. "Ao voltar (para o Brasil), as autoridades têm de pensar em algum tipo de quarentena para essas pessoas por conta da nova variante."

O infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury, recomenda que pessoas que já compraram passagens para a Europa usem máscaras em todos os ambientes, mesmo naqueles onde não é obrigatório. Ele lembra que áreas abertas, com aglomeração, são arriscadas. Quem vai à Europa deve levar em conta que faz frio nessa época do ano e que, portanto, será difícil manter janelas abertas ou permanecer em espaços arejados.

"Acho que dá para ir, tomando todos os cuidados: estar vacinado, no mínimo com duas doses, e quem puder deveria ir com a terceira dose. Quanto mais protegido contra as variantes tradicionais, maior a chance de estar protegido contra as novas variantes", diz Granato. "Para quem puder abrir mão de viajar, ainda não comprou passagem, não fez reservas, a medida de prudência é esperar um pouco."

A partir de segunda-feira, o Brasil vai fechar as fronteiras aéreas para passageiros vindos de África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue em decorrência da nova variante de coronavírus.

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