Ebola ameaça segurança alimentar no oeste da África

Restrições de circulação e quarentenas levaram a falta de alimentos, compras desesperadas e aumento de preços nos países afetados

Isla Binnie, REUTERS

02 Setembro 2014 | 08h51

DACAR - A pior epidemia de Ebola do mundo colocou colheitas em risco e fez os preços subirem no oeste da África, disse nesta terça-feira, 2, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), alertando que o problema vai se intensificar nos próximos meses.

A entidade emitiu um alerta especial para Libéria, Serra Leoa e Guiné, os três países mais afetados pelo surto, que matou 1.552 pessoas desde que o vírus foi detectado nas selvas remotas do sudeste da Guiné, em março.

Restrições aos movimentos das pessoas e a implementação de zonas de quarentena para conter a difusão da febre hemorrágica levaram a compras desesperadas, falta de alimentos e aumento de preços nos países menos preparados para absorver o choque.

“Mesmo antes do surto do Ebola, as famílias em algumas das áreas mais afetas estavam gastando até 80% de sua renda com alimentos”, disse Vincent Martin, chefe da unidade da FAO em Dacar.

“Agora, estes mais recentes aumentos de preço estão efetivamente colocando o preço dos alimentos fora de seus alcances”, disse Martin, acrescentando que a crise alimentar pode prejudicar a contenção da doença, que é tipicamente espalhada pelos fluídos corporais dos doentes.

A produção de arroz e milho cairão durante a estação de colheita que se aproxima, à medida que restrições de migração e movimentos causam falta de mão de obra nas fazendas, disse a FAO.

O Programa de Alimentos das Nações Unidas e a FAO aprovaram um programa de emergência para entregar 65 mil toneladas de alimentos a 1,3 milhão de pessoas afetadas pelo Ebola, em três meses.

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