Jerome Delay/AP
Jerome Delay/AP

Ebola deixa 3,7 mil crianças órfãs na África Ocidental

Milhares de menores perderam um ou ambos os pais em razão da doença; Unicef prevê que número dobre até meados de outubro

O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2014 | 09h07

Ao menos 3,7 mil crianças de Guiné, Libéria e Serra Leoa perderam um ou ambos os pais por causa do vírus Ebola, segundo estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) divulgadas nesta terça-feira, 30. A entidade alertou que, dada a intensificação da epidemia nas últimas semanas, a quantidade de órfãos em razão da doença poderá dobrar até meados de outubro.

"Sabemos que os números que temos são somente a ponta do iceberg", disse Manuel Fontaine, diretor regional da Unicef para a África Ocidental. Um dos principais problemas que os menores enfrentam é o isolamento dos familiares por medo de que possam ser contagiados pela doença letal.

"O estigma é o principal problema que enfrentamos. É raríssimo na África que as famílias não assumam o cuidado dos seus filhos. Isso mostra o medo que reina", afirmou Fontaine. Segundo o representante da Unicef, familiares e vizinhos alimentam os órfãos, mas poucas pessoas querem acolhê-los. 

A Unicef agora tenta criar unidades infantis para acolher essas crianças, e uma possibilidade seria de que os sobreviventes do vírus pudessem tomar conta deles. Em Serra Leoa, um encontro de sobreviventes está sendo organizado para outubro, quando a situação será analisada.

Os sobreviventes sofrem estigma e não são bem vistos nas comunidades. A Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS) consideram que esses sobreviventes podem ajudar às crianças órfãs, podem trabalhar em centros médicos, cumprindo normas de proteção, e podem ajudar em tarefas de conscientização.

Segundo dados da Unicef, entre as 3,1 mil vítimas fatais da doença, 15% eram de pessoas menores de 15 anos. O Ebola infectou em seis meses 6.553 pessoas, o que representa a maior epidemia da doença já registrada desde que o vírus foi descoberto em 1976 na República Democrática do Congo - na época conhecida como Zaire.

Ajuda. O Exército dos Estados Unidos entregou à Libéria dois laboratórios portáteis de diagnóstico e material para construir um hospital de campanha. A Libéria tem sido o país mais afetado pela epidemia, que atinge também outros quatro países da África Ocidental.

O país enfrenta graves problemas no seu sistema de saúde, que só se agravaram com a crise do Ebola. Faltam médicos, enfermeiros e leitos para tratar todos os casos de suspeita e de infecção pelo vírus. 

Os dois laboratórios serão geridos pela Marinha dos Estados Unidos e chegaram neste final de semana. Ainda nesta semana, os equipamentos deverão estar ativos, de acordo com comunicado da embaixada americana em Monróvia, capital da Libéria. 

O material para a construção do hospital conta com 25 leitos e contará com equipes do serviço médico americano. O equipamento foi projetado para atender tropas em zonas de combate. Os Estados Unidos planejam ainda a construção de outras 17 clínicas na Libéria e a formação de trabalhadores sanitários para utilizá-las./AP E EFE

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