Ebola é a nossa missão mais difícil, diz chefe de delegação cubana

Médicos que já estiveram em atendimento em desastres e outras epidemias pelo mundo destacaram o cenário desconhecido do vírus na África

O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2014 | 12h52

FREETOWN - O chefe da equipe médica de Cuba enviada a Serra Leoa, Jorge Juan Delgado Bustillo, disse que a missão contra o Ebola é a mais complicada dentre todas as outras de cooperação internacional. A equipe conta 165 pessoas foi o primeiro contingente que deixou Cuba e foi ao epicentro da epidemia, que atinge a Libéria, Serra Leoa e Guiné de forma mais intensa.

Cuba foi o primeiro país a enviar médicos, atendendo a um chamado da Organização Mundial da Saúde (OMS), para suprir necessidades de pessoal na região; outros países enviaram materiais e recursos financeiros. "Cuba é um país pequeno, não tem muitos recursos materiais, mas tem recursos humanos: mais de 90 mil médicos", disse Bustillo.

Os trabalhadores de saúde viajaram de forma voluntária e representaram o primeiro convênio da OMS com um país para lutar contra a epidemia."Todos nós viemos de forma espontânea, solidária e por uma decisão pessoal", acrescentou o chefe.

O médico relembrou  que os médicos cubanos trabalharam em mais de 100 países desde a Revolução Cubana e que apoiaram vítimas do tsunami no sudeste asiático, do terremoto no Paquistão, da cólera no Haiti, assim como afetados por inundações na Guatemala, Bolívia e México.

"Estivemos em muitos países e este é mais um, mas tem uma conotação epidemiológica distinta, porque em outras circunstâncias sabemos onde está o inimigo e aqui estamos em um meio onde a doença está evoluindo a cada dia mais", disse Bustillo, que acrescentou que nunca havia enfrentado uma situação tão complicada.

Um total de 103 enfermeiros e 62 médicos de diversas especialistas passaram várias semanas se preparando em Serra Leoa e, nos próximos dias, começarão a atender os pacientes na capital Freetown. A maioria dos profissionais contam com mais de 15 anos de experiência e já estiveram em missões em outros países.

Ataques. Gays estão sendo perseguidos e atacados na Libéria após líderes religiosos terem dito que o Ebola é uma punição de Deus contra os homossexuais. Há registros de assédios e dano a veículos por pessoas que culpam os gays pela doença. Os comentários vindo de igrejas católicas alteraram a rotina de centenas de pessoas no país. Um deles é Leroy Ponpon, um líder LGBT em Monróvia, capital da Libéria. A agências de notícias, Ponpon relatou não saber se ficava trancado em casa por causa do vírus ou porque ele é gay.

Fome. Dezenas de pessoas em quarentena por suspeita de infecção por Ebola ameaçaram abandonar o centro de isolamento na Libéria. As 43 pessoas foram isoladas após quatro doentes terem morrido pelo vírus no mesmo condado em que viviam.

As pessoas relataram escassez de alimentação no centro em que passam por observação. A ONU disse estar investigando a situação. A Libéria é o país mais afetado entre os três que sofrem com a epidemia na África. Dentre as 10.015 mortes, 4.744 ocorreram nesse país. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS 

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