Ebola está ressurgindo em locais onde tinha sido erradicado

Doença reapareceu em região da Guiné após semanas; veto saudita a peregrinos de países afetados com vírus não vai incluir Nigéria

O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2014 | 08h56

CONACRI - A ONG Médicos Sem Fronteiras fechou um de seus centros de tratamento contra o Ebola na Guiné por pensar que o vírus mortal tinha sido contido no local. A região de Macenta, na fronteira com a Libéria, foi um dos primeiros lugares onde o surto surgiu, mas há semanas não tinha o registro de um novo caso. A doença mostrou sinais de desaceleração em outros locais também. Agora, Macenta está na mira do Ebola novamente.

O ressurgimento da doença em um lugar onde os médicos pensavam que tinham erradicado mostra como o maior surto de Ebola da história já está fora de controle.

"Atualmente na Guiné, todos os novos casos, toda a nova epidemia, estão ligados a pessoas que estão voltando da Libéria ou de Serra Leoa", disse Marc Poncin, coordenador de emergência dos Médicos Sem Fronteiras na Guiné.

A epidemia também atingiu Nigéria e Senegal, matando 2.105 entre 3.967 na África Ocidental. Nunca antes, o Ebola havia atingido região tão densamente povoadas e populosas. Durante quatro décadas, o vírus atacou áreas relativamente remotas, onde os médicos podiam rapidamente isolar comunidades e frear a propagação.

Em surtos anteriores, Macenta seria facilmente mantida afastada.

Desta vez, o vírus está viajando sem esforço de avião, de carro e a pé, passando de florestas para as cidades e, brotando em locais distantes de todas as infecções conhecidas anteriormente. O fechamento das fronteiras, a proibição de voos e as quarentenas têm sido ineficazes.

"Tudo o que fazemos é muito pouco e muito tarde", disse Poncin. "Estamos sempre correndo atrás da epidemia.O Ebola tem sido capaz de seguir seu próprio curso, porque a África Ocidental não tem os profissionais de saúde de que necessita para monitorar potenciais portadores e comunidades de trem em como evitar contrair a doença."

Nigéria. A Arábia Saudita, que barrou a ida de cidadãos de Serra Leoa, Libéria e Guiné à peregrinação religiosa em seu território, por temer a entrada no país de pessoas contaminadas pelo Ebola, permitirá a vinda de nigerianos, disse um alto funcionário saudita nesta segunda-feira, 8. Isso sugere que a menor intensidade do surto na Nigéria causa menos preocupação. 

Oito pessoas morreram na Nigéria, de um total de 23 casos registrados, e houve um caso confirmado no Senegal. Não há vacinas aprovadas contra o Ebola ou tratamentos eficazes para a doença. 

A Arábia Saudita anunciou em abril que não emitiria vistos para em 2014 aos peregrinos provenientes da Serra Leoa, Libéria e Guiné, por causa do surto de Ebola nesses países. 

Milhões de pessoas de todo o mundo vão a Meca todo ano para a peregrinação, que todos os muçulmanos devem realizar pelo menos uma vez na vida, se tiverem condições. Neste ano, será em outubro. 

Segundo a agência Arab News, o vice-ministro da Saúde para o Planejamento e Desenvolvimento, Mohammed Al-Khasheem, disse que não havia necessidade de se preocupar com os nigerianos que vem à peregrinação e acrescentou que o país vem adotando medidas preventivas, em coordenação com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em seu primeiro discurso público, Zeid Al-Husein, do Alto Comissariado das Nações Unidos para os Direitos Humanos, afirmou que os bloqueios sem alternativas também são "uma forma de crueldade". "A falta de infraestrutra para uma vida digna - incluindo hospitais e saneamento básico - e a ausência de confianças nas autoridades agravaram esta epidemia terrível."/AP, EFE E REUTERS

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