Ebola faz Brasil acionar nível 2 de emergência

Nível é o penúltimo na escala de gravidade e permite o envio de equipes para regiões com suspeita da doença sem autorização local

Lígia Formenti e Felipe Resk , O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2014 | 20h33

BRASÍLIA - Embora o risco da entrada do vírus no País seja baixo, o Centro de Operações de Emergência em Saúde do governo federal acionou nesta sexta-feira, 8, o nível 2 - é o penúltimo nível na escala de gravidade, que permite o deslocamento de equipes para regiões com suspeita da doença no País sem necessidade de autorização dos governos locais.

“Há duas possibilidades de o Brasil receber um infectado”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. A primeira seria se o bloqueio montado nos países com surto falhar e os sintomas piorarem durante o voo. Caso o passageiro apresente o problema durante uma viagem, a tripulação do avião deve adotar uma série de medidas para isolar o paciente e avisar as autoridades sanitárias antes do desembarque. Nessas ocasiões, o avião é levado para uma área remota, o paciente é atendido por uma equipe do Samu e deslocado para um hospital de referência. As pessoas que tiveram contato com o paciente são acompanhadas. 

Outra forma possível é se o paciente desembarcar ainda no período de incubação da doença - sem sintomas. “Nessa situação, o caso será identificado nos sistemas de saúde”, disse Barbosa. O paciente deve permanecer em isolamento, em hospital de referência, e pessoas que tiveram contato com o paciente suspeito deverão ser acompanhadas e o material para fazer o diagnóstico, coletado. O exame é encaminhado somente para o Evandro Chagas, o único no País com condições de fazer a identificação em condições de segurança.

Aeroporto. Em São Paulo, passageiros vindos da África relataram nesta sexta, no Aeroporto de Cumbica, que não foram submetidos a uma inspeção mais rigorosa. “Não houve nenhuma questão de aspecto sanitário”, afirmou o professor Jorge de Assis, de 60 anos, que veio de Angola. “A maior preocupação é a malária. Para Ebola não houve nenhum cuidado especial”, afirmou outro passageiro que preferiu não se identificar.

Cinco países africanos têm voos sem escala para o Aeroporto de Cumbica: Angola, África do Sul, Etiópia, Togo e Marrocos, todos fora da área afetada pelo surto. 

A GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto, afirma que segue todas as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O aeroporto tem um posto médico onde é feito o diagnóstico de doenças epidêmicas e, se necessário, aciona a Anvisa. Por sua vez, a Anvisa afirma que todos os procedimentos estão sendo adotados desde a declaração da OMS. 

Mais conteúdo sobre:
Ebola

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.