Ebola na República Democrática do Congo não tem relação com África Ocidental

Ministro da Saúde disse que surto é novo e diferente do que surgiu em março na Guiné; país receberá equipamentos médicos da OMS

O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 15h23

KINSHASA - O surto do vírus do Ebola detectado neste domingo, 24, na República Democrática do Congo é novo e diferente do que surgiu em março na África Ocidental, anunciou nesta segunda-feira, 25, o ministro da Saúde do país centro-africano, Félix Kabange Numbi.

"A epidemia não tem nenhuma relação com o oeste da África", disse Kabange, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. O ministro citou análises feitas no Instituto Nacional de Investigação Biomédica.

Segundo Kabange, este já é o sétimo surto de Ebola no território do país. O governo conta com a experiência adquirida no combate a epidemias passadas para conter a propagação do vírus. O ministrou informou que o governo aprovou verba de US$ 1 milhão para lutar contra a doença.

A República Democrática do Congo confirmou neste domingo a presença de Ebola no seu território e, assim, tornou-se o primeiro país do oeste do continente a anunciar casos da doença desde que o surto surgiu na Guiné, em março.

Equipamentos de prevenção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta segunda-feira que enviou equipamento de prevenção a funcionários da área médica da República Democrática do Congo, onde autoridades confirmaram dois casos de Ebola em uma área remota. 

"O Ministério da Saúde declarou um surto e nós estamos tratando dessa forma", disse o porta-voz da OMS Tarik Jasarevic, em Genebra, em resposta a um questionamento. 

A atual epidemia de Ebola, que já matou ao menos 1.427 pessoas, está concentrada em Serra Leoa, Libéria e Guiné, com alguns casos registrados também na Nigéria. 

Autoridades congolesas que foram à província do Equador, no norte, encontraram 24 casos de febre hemorrágica de "origem desconhecida", incluindo 13 pessoas que morreram, disse Jasarevic. Destes, dois tiverem resultados positivos para Ebola, e outras amostras retiradas de pacientes com suspeita estão sendo analisadas. 

Gastroenterite hemorrágica, malária e shigelose também foram identificadas na área, acrescentou o porta-voz da OMS. Ao menos 70 pessoas morreram no norte da República Democrática do Congo por causa de um surto de gastroenterite hemorrágica, disse a OMS na semana passada, negando que a doença fosse Ebola. 

O vírus do Ebola, descoberto no antigo Zaire - atual República Democrática do Congo - em 1976, é endêmico na área./EFE E REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.