Evan Vucci/AP
Evan Vucci/AP

Ebola pode se tornar uma crise mundial, diz Barack Obama

Para o presidente dos EUA, epidemia pode gerar uma 'catástrofe humanitária' e se tornar uma 'ameaça global' se não contida

Cláudia Trevisan, Enviada especial, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2014 | 19h50

NOVA YORK - O surto de ebola que atinge a África ocidental pode se transformar em uma crise de segurança regional e global se não for contido, afirmou ontem o presidente dos EUA, Barack Obama, durante encontro da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir o combate da doença. Como todos os participantes do evento, ele defendeu o aumento dos esforços mundiais para limitar o impacto do vírus.

"Se a epidemia não for barrada, essa doença pode gerar uma catástrofe humanitária na região. E em uma era na qual crises regionais podem rapidamente se tornar ameaças globais, conter o ebola é do interesse de todos nós", declarou na reunião, que teve a participação de pouco mais de 20 líderes mundiais.

O vírus já contaminou 6.263 pessoas e matou 2.917 em cinco países africanos: Guiné, Serra Leone, Libéria, Nigéria e Senegal. Caso a doença não seja controlada, o número de vítimas pode chegar a centenas de milhares de pessoas, estimam cientistas.

O presidente de Serra Leone, Ernest Bai Koroma, disse que o atraso na resposta ao vírus pode levar a um ritmo "exponencial" de contaminações.

"Ebola não é apenas uma doença de Serra Leone e seus vizinhos. É uma doença do mundo." Segundo ele, a globalização, a urbanização e a movimentação de pessoas ao redor do mundo ampliaram as chances de transmissão de vírus que antes permaneciam isolados.

Apesar de reconhecer avanços no combate da doença, Obama afirmou que a resposta está distante do necessário. "Todos mundo tem as melhores intenções, mas as pessoas não estão colocando os tipos de recursos que são necessários para barrar essa epidemia", observou.

Koroma ressaltou que os países da região precisam de mais profissionais de saúde, equipamentos de laboratório, clínicas, ambulâncias, treinamento e apoio logístico para enfrentar o ebola.

Na semana passada, os Estados Unidos decidiram enviar 3.000 soldados para apoiar as ações de combate ao ebola na África. O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, anunciou ontem a duplicação, para US$ 400 milhões, dos recursos destinados pela entidade ao combate da doença.

"Nós estamos falando de nada menos do que o potencial derretimento desse continente", declarou. No encontro de ontem, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, disse que seu país mandará 2.000 voluntários para atuar contra a epidemia na África. Cuba também decidiu enviar médicos à região, enquanto o Japão aumentou os esforços para tentar desenvolver uma vacina contra o vírus.

A reunião de ontem foi convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que há uma semana criou o grupo Resposta Emergencial ao Ebola, com a missão de coordenar os esforços de prevenção da doença. Ontem, ele afirmou que a epidemia indicou a necessidade de a comunidade internacional ter uma "corporação" de médicos apoiados pela Organização Mundial de Saúde e a ONU para atuar em situações de emergência como essa.

"Da mesma maneira que temos as tropas de capacetes azuis para ajudar a manter a segurança das pessoas, uma corporação de aventais brancos poderia ajudar a manter as pessoas saudáveis", disse.

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