Ebola se espalha pela África e já mata 729 pessoas, diz OMS

Depois de doença matar centenas de pessoas em Guiné, Libéria e Serra Leoa, primeiro caso suspeito foi identificado na Nigéria

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

31 Julho 2014 | 12h04

Atualizada às 21h32

GENEBRA - O vírus do Ebola continua a se espalhar e já são 729 mortes no maior surto da doença já registrado. Dados divulgados nesta quinta-feira, 31, em Genebra pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, entre 24 e 27 de julho, 122 novos casos foram identificados, com 57 mortes em apenas quatro dias na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa.

A progressão do vírus obrigou governos africanos a fechar suas fronteiras e apertar o controle em alguns dos principais aeroportos do continente, como no Quênia. Na Europa, autoridades admitem que estão preocupadas com uma eventual migração do vírus.
 
A OMS apelou para um esforço coordenado dos governos africanos para lidar com o problema. Serra Leoa declarou emergência de saúde no país e o governo baniu encontros públicos. O exército foi colocado nas ruas para controlar o acesso a bairros considerados de risco. Até a seleção de futebol foi barrada de viajar para as Ilhas Seychelles para um jogo de futebol, já que o país no Oceano Índico teme a doença. 

“Nenhum país pode controlar mais a doença sozinho”, alertou o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma. Nesta quinta, foi enterrado no país o médico Umar Khan, considerado herói nacional por tratar de pacientes contaminados com o Ebola. Ele morreu menos de uma semana após ser diagnosticado. 

Medidas. A OMS e a Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) se reuniram nesta quinta para examinar algum tipo de controle sobre passageiros das áreas afetadas. Por enquanto, porém, não existe uma recomendação para que turistas deixem de viajar para o oeste da África. A empresa aérea ASKA, do Togo, interrompeu seus voos para os países afetados e a Ethiopia Airlines anunciou “medidas extraordinárias” como monitoramento de voos da região da epidemia e treinamento da equipe para evitar contato físico com passageiros. 

Em Hong Kong, o governo anunciou que colocaria de quarentena qualquer pessoa que desembarcasse da Guiné, Libéria ou Serra Leoa, enquanto o Japão mandou alertas aos hospitais. Na Libéria, o governo fechou suas fronteiras. 

Na Europa, o governo do Reino Unido se reuniu para debater a ameaça, enquanto o governo francês emitiu mensagens de que o país está preparado para lidar com a doença, caso ela migre. 

Migração. Além dos 729 casos confirmados pela OMS, a entidade também registrou um caso suspeito no dia 29 de julho na Nigéria. As 59 pessoas que tiveram contato com o paciente, um americano, também já foram identificadas. O americano viajou em um voo no dia 20 de julho entre Lomé, no Togo, e Acra, em Gana. 

Para que o caso seja confirmado como Ebola, a OMS ainda aguarda a avaliação de uma laboratório do Senegal. Mas nenhuma empresa de transporte queria assumir o envio das amostras de sangue da vítima.

Para a OMS, se o caso for confirmado e a doença tiver aterrizado na Nigéria, a entidade acredita que o risco de uma proliferação ainda maior dos casos é grande. “Esse é um desenvolvimento significativo no surto”, alertou a entidade, em comunicado. “Os novos contágios evidenciam que os esforços devem ser redobrados para lutar contra a doença”, afirma OMS. 

Enquanto os casos se espalham, a OMS já negocia com governos europeus doações para ajudar o oeste da África a lidar com o surto. 

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