Ebola se propaga mais rápido do que esforços para contê-lo, diz OMS

Segundo diretora da organização, se situação continuar piorando, consequências serão 'catastróficas'; doença matou 729 pessoas

O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2014 | 13h25

Atualizada às 22h08 

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, admitiu nesta sexta-feira, 1º, que o surto de Ebola na África Ocidental está fora de controle e exigirá “medidas excepcionais”. “Ele está se propagando mais rápido do que os esforços para controlá-lo”, afirmou em Conacri, capital da Guiné, um dos países afetados pela doença. 

O vírus, segundo a OMS, já atingiu 1,3 mil pessoas e provocou 729 mortes desde fevereiro. “Se a situação continuar piorando, as consequências podem ser catastróficas em termos de perdas de vidas e de efeitos socioeconômicos. Há também alto risco de se espalhar para outros países.”

O surto é o maior da história de quase quatro décadas da doença, tanto em número de casos quanto em mortes registradas. Para a diretora da OMS, alguns países terão de impor restrições de locomoção e para reuniões públicas, dependendo da situação epidemiológica. “Correntes de transmissão podem ser quebradas”, ponderou. Margaret destacou que a doença está ocorrendo em áreas com maior movimento populacional, e tem demonstrado sua capacidade de se espalhar por meio de viagens aéreas. 

Além disso, a doença está afetando um grande número de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, um dos recursos mais importantes para conter um surto. Até o momento, mais de 60 profissionais de saúde morreram depois de trabalhar com pacientes infectados. O médico Sheik Omar Khan, de 39 anos, que liderava os esforços de Serra Leoa contra a doença, foi uma das vítimas. 

Entre as vítimas da doença também há estrangeiros. Dois trabalhadores americanos na Libéria foram infectados e um outro morreu na Nigéria, segundo autoridades de saúde. Americanos infectados seriam transferidos para um hospital em Atlanta, nos Estados Unidos.

Apesar da inexistência de uma vacina ou terapia curativa, segundo a diretora-geral da OMS, os surtos da doença podem ser contidos com detecção precoce e isolamento dos casos, com o rastreamento dos infectados e procedimentos rigorosos de controle de infecção.

Estratégia e providências. A diretora-geral da OMS se reuniu com os presidentes da Guiné, Libéria e Serra Leoa, em Conacri. Segundo ela, o encontro deve ser um “ponto de virada” na batalha contra o Ebola. A OMS já havia anunciado apoio financeiro de US$ 100 milhões para combater a epidemia. Uma das primeiras medidas foi criar um cordão sanitário na área da tríplice fronteira, foco do atual surto.

Várias empresas e países já tomam novas providências. A aérea do Dubai, Emirates, anunciou a suspensão dos voos para a zona afetada, a partir de hoje, enquanto Estados Unidos, Alemanha e França emitiram avisos alertando contra viagens para os três países africanos. O mesmo foi feito por Portugal. Também foi ampliado o cerco sanitário na África (por Congo, Quênia, Etiópia e Tanzânia).

“Estamos levando tudo muito a sério”, disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao adiantar que as pessoas vindas dos três países passarão por avaliações sanitárias ao chegar aos EUA, que receberá na próxima semana um encontro de chefes de Estado africanos. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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