Efeitos do envelhecimento da população foram exagerados, diz estudo

Medidas dao impacto do envelhecimento não levam em conta melhorias da qualidade de vida, dizem autores

estadão.com.br, estadão.com.br

09 Setembro 2010 | 15h02

As melhores condições de vida e de saúde estão causando um envelhecimento populacional mais "lento" do que dizem as estimativas, afirma estudo publicado na edição desta semana da revista Science

 

Pesquisadores do Instituto Internacional de Sistemas Aplicados (IIASA) da Áustria, da Universidade Stony Brook e do Instituto de Demografia de Viena estão propondo uma nova medida de envelhecimento que leva em conta os impactos positivos da medicina, que permitem que pessoas de idade cronológica mais avançada se mantenham ativas e independentes.

 

As avaliações atuais frequentemente se baseiam em previsões das Nações Unidas que incluem a proporção da população com 65 anos ou mais e a "taxa de dependência da idade avançada", ou OADR, que considera o número de pessoas que se tornam dependentes de outras ao atingir os 65 anos.

 

"Essas métricas baseiam-se em idades cronológicas fixas, e isso pode gerar resultados enganosos", disse, por meio de nota, Warren Sanderson, do IIASA e de Stony Brook. "Idades cronológicas fixas pressupõem que não haverá progresso em fatores como longevidade e taxas de dependência. Mas muitas características específicas da idade não se mantiveram fixas e não devem se manter constantes no futuro".

 

Muitas pessoas acima dos 65 anos não dependem do cuidado de terceiros e, pelo contrário, podem ter seus próprios dependentes.

 

Os autores do artigo propõem uma nova métrica da dependência baseada em deficiências que busca refletir a relação entre os que precisam de cuidados e os que estão em condições de oferecer cuidados, chamada taxa de deficiência e dependência adulta, ou ADDR.

 

O artigo mostra que quando o envelhecimento é medido com base na proporção entre as pessoas que precisam ser assistidas e as que podem oferecer assistência, a velocidade de envelhecimento cai em 80% na comparação com a métrica clássica.

 

O coautor Sergei Scherbov afirma, em nota, que "se aplicarmos as métricas de envelhecimento levando em conta o aumento da expectativa de vida e a redução das taxas de deficiência, muitas populações estarão envelhecendo mais devagar do que o previsto com base apenas na idade cronológica".

 

O novo trabalho se debruça sobre a "expectativa de vida livre de deficiência", que descreve quantos anos de vida são passados em boas condições de saúde.

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