REUTERS / Paulo Whitaker
REUTERS / Paulo Whitaker

Eficácia de vacina antidengue chega a 60%

Imunizante em desenvolvimento será usado em grupos de risco

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2015 | 03h00

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde inicia neste semestre uma pesquisa para saber quando e como a vacina contra dengue será aplicada. A ideia é traçar uma estratégia para tornar mais eficaz o uso do recurso. 

“Não haverá vacina para todos. Precisamos saber quais são os públicos que devem ser escolhidos para a imunização, caso o registro seja concedido”, disse o coordenador do Programa Nacional de Controle de Dengue, Giovanini Coelho. O trabalho deve ser concluído até o fim do ano. 

A vacina desenvolvida pela empresa francesa Sanofi Pasteur apresentou em março o pedido de registro do produto no País. Caso ele seja concedido neste ano, avalia a empresa, o imunizante estará disponível somente a partir de 2016. “As medidas de combate ao mosquito transmissor da doença não vão terminar, mesmo quando uma vacina estiver disponível. O imunizante, sozinho, não será capaz de evitar epidemias”, avaliou Coelho. 


O coordenador enumera pelo menos duas razões para que a vacina não seja considerada uma “solução mágica”. A começar pela eficácia identificada nas pesquisas feitas pelo fabricante: 60%, em média, para todos os sorotipos do vírus causador da doença. Além disso, são necessárias três doses da vacina, em intervalo de seis meses. O ciclo se completa, portanto, apenas depois de um ano do início da vacinação. 

“Há sempre problemas logísticos para aplicação de três doses da vacina, com esse período de intervalo. Enquanto não tivermos um imunizante com dose única, e eficácia superior a 90%, não podemos descartar as demais medidas de prevenção”, garantiu Coelho. 

Unifesp. Apesar das perspectivas serem a médio prazo, o Ministério da Saúde considera que a vacina da Sanofi-Pasteur pode significar um recurso valioso, principalmente para redução dos casos graves. “Os testes mostram uma queda de 80% nas internações. É um indicador que tem de ser levado em consideração”, afirmou. 

A pesquisa será conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em cidades consideradas estratégicas, com grande circulação de pessoas e que exerceram em epidemias anteriores um papel importante para a disseminação do vírus. Até agora, foram listadas 63. Entre elas: Rio, Santos, Campinas, Goiânia e Recife. 

Na primeira etapa, serão feitos testes para identificar nessas cidades escolhidas as populações que já tiveram contato com o vírus. “Os estudos mostraram que ela é mais eficaz em pessoas que já tiveram algum contato com o vírus. A ideia é, nesses municípios, fazer um inquérito sobre a soroprevalência em diversas faixas etárias”, contou o coordenador. 

O governo pretende usar a segunda fase da vacinação de Pólio, programada para o próximo semestre, para coletar amostras de sangue de crianças menores de 5 anos. “Para participar, as famílias têm de assinar um protocolo de adesão. Tudo tem de ficar muito claro para os responsáveis dos menores”, disse Coelho. Uma rede de laboratórios particulares está sendo montada para ajudar na realização do inquérito. 

Idosos. Os dados reunidos pelo estudo deverão ser usados para nortear a decisão do governo sobre incluir ou não a vacina no País. Feita essa avaliação, será a vez de definir os grupos prioritários para receber as doses do imunizante, algo semelhante ao que foi realizado no Brasil com influenza (gripe). Quando começou a ser usada no País, a vacina estava restrita a alguns grupos de risco, como idosos. 

O coordenador adiantou que essa população é uma forte candidata a ser alvo de campanhas, caso elas ocorram no País. “Levantamentos recentes mostram que esse grupo apresenta um maior risco de internação e morte por dengue”, contou.


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