Eficácia de vacina contra Aids é pequena mas real, diz análise

No mês passado, cientistas haviam anunciado que uma combinação de duas vacinas reduzia o risco da doença

Associated Press,

20 de outubro de 2009 | 14h44

Novos resultados do primeiro teste bem-sucedido de uma vacina contra o vírus HIV confirmam que sua eficácia é apenas marginal. No entanto, o resultado empolgou cientistas, que acreditam que agora sabem o caminho para criar uma vacina melhor.

 

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Os resultados também sugerem que a vacina poderá funcionar melhor na população em geral do que nos chamados grupos de risco, como homens homossexuais promíscuos ou usuários de drogas injetáveis. Esta foi a primeira vez em que uma vacina foi testada primariamente em heterossexuais de risco médio, e os médicos já sabiam que a forma como uma pessoa é exposta ao HIV afeta sua chance de ser infectada.

 

"Este estudo se tornou um marco histórico. Você pode pô-lo num mapa e começar a calcular para onde ir a partir dali", disse o coronel Jerome Kim, médico do Exército americano que ajudou a comandar a pesquisa.

 

No mês passado, cientistas haviam anunciado que uma combinação de duas vacinas cortava o risco de contrair Aids em mais de 31%, num teste realizado em 16.000 voluntários tailandeses.

 

Os resultados completos, foram publicados online nesta terça-feira, 20, pelo New England Journal of Medicine e apresentados numa conferência científica em Paris, incluem duas novas análises estatísticas que apenas sugerem que a vacina é benéfica, em vez de fornecer prova definitiva. 

 

Isso acontece principalmente porque muito poucos participantes foram infectados - apenas 125 pessoas, 10% do que ocorria em testes anteriores de vacinas contra o HIV, disse o médico Anthony Fauci, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas do governo dos EUA, principal patrocinador do estudo.

 

Críticos fizeram vazar uma das análises na semana passada, dizendo que ela mostrava que os resultados originais podem ter sido mero acaso. Um grupo de promoção do combate à Aids da Califórnia criticou os autores do trabalho por não terem fornecido todos os dados quando fizeram o anúncio original, no mês passado.

 

"O importante é que esses resultados são reais", embora não justifiquem usar a vacina da forma como está, disse Alan Bernstein, diretor-executivo da Global HIV Vaccine Enterprise, uma aliança de governos, cientistas, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de financiadores de causas humanitárias, como a Fundação Bill & Melinda Gates.

 

Outros cientistas que, como Bernstein, não tomaram parte no estudo, concordam.

 

"Trata-se de uma história consistente. Parece haver algum efeito. E acho que é um estudo importante. Redireciona o campo para buscar um tipo diferente de vacina e um tipo diferente de resposta imunológica", disse Lawrence Corey, da Universidade de Washington.

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