Divulgação
Divulgação

Eficiência na triagem dos casos será decisiva, avalia infectologista

Pablo Sebastian Velho diz que educação de informação são fundamentais para o controle da covid-19

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 15h23

No caso de um agravamento rápido na expansão da covid-19 no País, o sistema de saúde brasileiro terá de responder com eficiência à pressão dos casos já a partir da "triagem" das pessoas com suspeita de infecção pelo novo coronavírus. A opinião é do infectologista Pablo Sebastian Velho, coordenador do curso de Medicina da Univali, Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Para ele, neste momento da crise também  “a educação de informação da população são fundamentais para o controle da expansão da covid-19”. Trabalhando no interior catarinense, o infectologista acredita que em caso de agravamento acelerado, as internações devem ocorrer somente nos casos de "pessoas com os quadros mais graves da doença, com pneumonia, síndrome respiratória ou descompensação de doença de base".

Veja abaixo:

Professor, na sua opinião, o sistema de saúde de saúde está preparado para um eventual agravamento rápido da situação nas próximas semanas?

Sabe-se que a rede hospitalar pública sofreu uma defasagem no número de leitos ao longo dos anos. Nesse momento, é fundamental a educação e a informação da população para que o sistema não fique sobrecarregado, de modo a direcionar os atendimentos às pessoas com os quadros mais graves de doença, com pneumonia, síndrome respiratória aguda grave ou aqueles com descompensação de sua doença de base.

Santa Catarina, por exemplo, onde o sr. trabalha, tem estrutura hospitalar suficiente?

Santa Catarina possui hospitais de referência nas diferentes regiões do Estado, mas será fundamental ampliar a capacidade de atendimento em caso de agravamento rápido do quadro, principalmente para a triagem e avaliação de gravidade dos casos suspeitos de infecção respiratória por coronavírus.

Como deve ser feita a gestão hospitalar de infectados? Isolamento? Ou devem ser tratados em casa? Qual a sua opinião?

O atendimento em nível hospitalar deve se restringir aos indivíduos que apresentem complicações como pneumonia, insuficiência respiratória ou descompensação de uma doença de base. As medidas de precaução devem seguir as orientações protocolares para prevenção de transmissão por gotículas, com uso racional de máscaras e demais equipamentos de proteção. Os casos sem gravidade devem ser encaminhados para o domicílio.

Em relação à demanda e a pressão normal do sistema, o senhor defende suspensão de cirurgias eletivas, por exemplo?

Para qualquer evento de gravidade que possa sobrecarregar o sistema público, cirurgias eletivas podem ser suspensas enquanto durar a necessidade de ampliar as equipes ou áreas reservadas ao atendimento dos pacientes graves.

A rede está preparada com leitos de UTI para o volume normal de outras urgências, como acidentes, AVCs, problemas do coração?

Como dito anteriormente, a redução no número de leitos hospitalares do SUS não é novidade.

 

Tudo o que sabemos sobre:
coronavíruscoronavírus

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.