Elas não engordam. Nem envelhecem

O segredo da saúde das japonesa está no prato

Lola Felix, Jornal da Tarde

29 de setembro de 2007 | 09h04

Aos 53 anos de idade, Hideko Honma não vai muito longe quando busca modelos para um envelhecimento saudável. Enquanto outras mulheres da mesma idade se espelham em sexagenárias famosas, ela busca conselhos com seus pais, Masatoshi Setani, de 85 anos, e Kazuko Setani, de 79 anos.   'Eles caminham, praticam esportes, viajam', diz Hideko, 1m50 de altura e 49 quilos. Kasuko e Setani também ensinaram à filha a importância de uma dieta à base de peixe, soja, arroz, vegetais e frutas.  Esta é o segredo número 1 revelado por Naomi Moriyama e William Doyle em seu livro 'Mulheres japonesas não envelhecem nem engordam' (Editora Rocco, tradução de Sabine Dorle Krzikalla, R$ 34). Consultora de marketing, Naomi e o marido, co-autor do livro, adoram comida japonesa. Ela não dispensa uma pizza ou um doce de vez em quando, mas sabe o valor da culinária ensinada por sua mãe.  'Há um país onde as mulheres vivem mais tempo do que em qualquer outro lugar na Terra. É um lugar onde existe a menor obesidade do mundo desenvolvido. Onde mulheres de quarenta anos parecem ter vinte', escreve a autora do livro sobre o Japão.  É claro que há um tanto de genética envolvida nesta história, mas o estilo de vida fala alto. Prova disso é que os japoneses que se ocidentalizam podem sofrer com hábitos de vida nocivos. Um exemplo é a porcentagem de diabetes em nipo-brasileiros: ela aumentou de 22,6% para 36,1%, entre 1993 e 2000, segundo dados do grupo Japanese-Brazilian Diabetes Study Group (JBDSG), que reúne pesquisadores da USP e Unifesp. No Japão, este número é de apenas 6,9%, segundo o Atlas da Federação Internacional de Diabetes.  'No Brasil, 20% dos japoneses são obesos. No Japão, este percentual diminui para 10%', diz o endocrinologista Mauricio Hirata, da clinica Bio Hirata. Entre as mulheres que vivem lá , este número é ainda menor, como consta no livro de Naomi Moriyama: apenas 3% são obesas. Se os bons hábitos japoneses são assim tão benéficos, como tirar proveito deles? No livro, Naomi dá detalhes sobre o que ela considera os sete segredos da cozinha de sua mãe.  Alguns deles são velhos conhecidos de endocrinologistas e nutricionistas. 'A comida japonesa tem um teor de gordura menor. Além disso, eles consomem muitos legumes cozidos, frutas e soja', diz a nutricionista Cilebe Crispim, da Unifesp.  Hirata, que tem 1m82 e pesa 79kg, diz que um dos grandes segredos japoneses é sair da mesa sempre com um pouquinho de fome. 'Eles comem várias vezes ao dia, pequenas porções. Nunca se enchem de comida', diz ele, que tem 45 anos, com carinha de 35.  Segundo o endocrinologista, o ocidental que seguir a dieta japonesa pode, sim, se dar bem. No entanto, há algumas contra-indicações. 'Hipertensos, por exemplo, podem sofrer com o excesso de sódio no glutamato e no molho de soja', diz Cibele. A dieta perfeita ainda está para nascer.  Sete dicas para uma vida magra e longa  >A dieta japonesa se baseia em peixe, soja, arroz, vegetais e frutas. >Os japoneses comem porções bem menores, servidas sobre louça pequena e bonita. O segredo é comer várias vezes ao dia, em pequenas quantidades. >A culinária japonesa é super rápida e ultra suave. A autora explica no livro que, em vez de torrar e assar, as japonesas cozinham a vapor, grelham refogam, cozinham em fogo baixo ou fritam rapidamente em fogo alto. >Os japoneses comem arroz em vez de pão às refeições. >As mulheres japonesas são as rainhas do café da manhã energético. >As mulheres japonesas são loucas por sobremesa...de modo especial. 'A diferença', escreve Naomi, 'é que elas comem sobremesas com menor freqüência e em porções menores.'>As mulheres japonesas têm um relacionamento diferente com a comida. A dieta japonesa dá pouco motivo para uma dieta.  

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