ARI FERREIRA | ESTADAO CONTEUDO
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Ele lutou para ser retirado das ruas

O motorista Renato Justiniano de Loredo diz que teve tratamento inicialmente negado porque, quando foi pedir para se internar, estava bem vestido

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2017 | 16h52

Se alguns pacientes precisam ser convencidos pela família ou por agentes de saúde a aceitarem sair das ruas, alguns dependentes da Cracolândia tiveram de fazer o contrário: convencer os profissionais do Programa Recomeço que precisavam de internação.

Foi o caso do motorista Renato Justiniano de Loredo, de 65 anos, e do gesseiro Ednei Santos Sales, de 42. Ambos procuraram o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), unidade estadual na Luz, em busca da hospitalização, mas foram inicialmente orientados a fazer tratamento ambulatorial. “Fiquei dois dias na porta do Cratod para conseguir uma vaga”, conta Sales.

Já Loredo diz acreditar que não foi aceito por estar bem vestido. “Eu trabalhava como motorista de manhã e ia para a Cracolândia à noite. No mês passado, decidi me internar e fui ao Cratod de paletó e disseram que meu caso não era de internação. Acho que eles pensam que só precisa de internação quem está com as roupas todas rasgadas e descalço. Mas a gente sabe o que precisa”, reclama ele, que diz ter procurado a Ouvidoria da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo para conseguir o tratamento.

Coordenador do Programa Recomeço, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira afirmou ao Estado que é preciso, de fato, aprimorar os protocolos que definem os critérios para internação. “Essas recusas não são por falta de vaga. Temos 3.400 leitos para dependência química no Estado. Acredito que pode acontecer de alguns médicos optarem pelo tratamento ambulatorial sem considerar tanto a opinião do paciente. Por isso estamos melhorando os protocolos, para que uma avaliação não dependa, por exemplo, da aparência do paciente”, diz.

Transferência. Questionada sobre o caso de Loredo, a secretaria afirmou que não procede a informação de que ele precisou acionar o Ouvidoria. De acordo com a pasta, o paciente foi encaminhado para tratamento clínico em 23 de maio, mas abandonou o processo dois dias depois. Ao retornar ao Cratod em 30 de maio, diz a secretaria, ele foi avaliado novamente e transferido para a comunidade terapêutica Santa Carlota.

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