Grávidas são bastante suscetíveis ao vírus influenza
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Grávidas são bastante suscetíveis ao vírus influenza

Em 2009, alerta veio com o H1N1, variante que fez aumentar as complicações na gestação

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo
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10 de maio de 2021 | 07h00

No primeiro semestre de 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou um alerta de ameaça de pandemia devido ao surgimento de um novo vírus influenza, o A(H1N1). A obstetra Carla Andreucci Polido, professora de obstetrícia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), lembra que foi uma fase de altas taxas de complicações e de aumento da mortalidade de gestantes por causa dessa infecção. “O H1N1 foi um importante fator para o aumento de morte materna no Brasil nessa época. Então a gente entendeu a partir daí que as grávidas têm uma maior suscetibilidade a infecção pelo vírus da influenza”, afirma.

A médica explica que as gestantes estão mais sujeitas a infecções virais por causa de alterações normais de seu sistema imunológico, que fica mais “fraco” para que o bebê não seja entendido pelo organismo materno como um corpo estranho, algo que precisa ser combatido. “A partir do momento em que a gente disponibilizou a vacina para as grávidas e para as puérperas (mulheres até 45 dias depois de darem à luz), desde que a gente vem vacinando essas mulheres, diminuíram muito as complicações e a mortalidade pelo vírus influenza nessa população”, revela Carla Polido.

A imunização evita as complicações da gripe nas gestantes que podem levar à necessidade de oxigênio, internação na UTI e até antecipação do parto. Uma outra vantagem da imunização é a proteção desse recém-nascido contra a gripe – estudo publicado no The New England Journal of Medicine comprovou que o bebê recebe anticorpos da mãe vacinada, explica o pediatra Marco Aurélio Sáfadi, chefe do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Dois grupos de bebês foram comparados – entre aqueles cujas mães receberam vacina contra gripe houve menos casos de influenza do que entre os bebês de mulheres não vacinadas – a efetividade no bebê da vacina tomada pela mãe foi de 63%. “O que é o mais importante é que isso foi comprovado laboratorialmente”, explica o pediatra. Essa proteção contra a gripe que é recebida da mãe, contudo, cai exponencialmente até o sexto mês de vida do bebê. A boa notícia é que exatamente a partir dessa idade que a criança pode ser vacinada contra o vírus influenza.

Ao contrário das outras populações, a criança de até 9 anos de idade que vai ser imunizada pela primeira vez contra a gripe precisa tomar duas doses da vacina, explica o neonatologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Isso porque a gente supõe que crianças pequenas têm menos chances de já terem sido expostas ao vírus influenza”, explica. “Nos anos seguintes, a criança toma a vacina, mas em dose única”, completa. Já as gestantes e puérperas precisam ser imunizadas apenas uma vez, em qualquer fase da gestação.

Giselle Siqueira, 38, espera dar à luz no final deste mês e está mais tranquila porque já foi vacinada tanto contra a gripe, no início do mês passado, na rede particular, quanto contra o coronavírus no posto de saúde perto da sua casa – a segunda dose da vacina contra o SARS-CoV-2 vai ser tomada apenas em julho. “Só de pensar que quando eu entrar em trabalho de parto e for ao hospital já estou vacinada me dá um alívio”, desabafa.

O intervalo entre as duas vacinas tem de ser de 14 dias, explica o neonatologista Renato Kfouri, e os dois imunizantes são essenciais para as gestantes e puérperas. “Claro que na situação epidemiológica de hoje é preferível que a grávida tome primeiro a vacina de covid, mas ela tem que tomar as duas. E é preciso manter esse intervalo de 14 dias porque não temos dados de aplicação simultânea dessas vacinas, se há interferência de uma na outra. E é bom lembrar que a de coronavírus não protege contra a gripe e a da gripe não protege contra o coronavírus. Existem alguns artigos tentando sinalizar essa relação, mas não há nada comprovado”, afirma.

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