Andreas Gebert/Reuters
Andreas Gebert/Reuters

Em carta, servidores da Anvisa afirmam não servir 'aos interesses de governos'

Agência tem sido alvo de pressões dos governos federal e do Estado de São Paulo pela liberação da vacina contra a covid-19

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2020 | 09h41

   

SÃO PAULO - Servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicaram uma carta aberta nesta quinta-feira, 10, afirmando que realizam um trabalho técnico e independente e que não servem "aos interesses de governos, de pessoas, de organizações ou de partidos políticos." A agência tem enfrentado pressão dos governos federal e do Estado de São Paulo pela liberação da vacina contra a covid-19.

A carta, divulgada pela Associação dos Servidores da Anvisa (Univisa), diz que os profissionais estão a serviço do povo brasileiro e que a agência é uma referência na área de saúde.

"Pressões externas são inerentes ao trabalho desenvolvido por nós, servidores da Anvisa, mas o trabalho técnico está acima de qualquer pressão."

Em reunião na última terça-feira, 8, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cobrou uma posição do ministro da Saúde Eduardo Pazuello sobre a compra da Coronavac, vacina para covid-19 que está sendo desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, ligado ao governo paulista. O ministro respondeu que a Anvisa poderia levar até 60 dias para realizar a análise dos imunizantes.

Ainda nesta semana, interlocutores de Doria afirmaram que o governador pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para seguir o plano de iniciar a imunização contra o novo coronavírus em 25 de janeiro de 2021.

Nesta quinta-feira, 10, a agência aprovou uma resolução com regras para permitir o uso emergencial de vacinas contra o vírus.

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Na carta aberta, os funcionários informaram que foi montado um comitê para analisar os pacotes de dados dos pedidos de registro e autorização para uso emergencial das vacinas e que o grupo segue as normas sanitárias vigentes no Brasil.

" Tal comitê tem trabalhado incansavelmente, por meio de avaliação técnica criteriosa, que inclui uma análise rigorosa dos dados laboratoriais, de produção, de estabilidade e clínicos, de forma isenta e sem se submeter a qualquer tipo de pressão política e no menor tempo possível, com o objetivo de assegurar que as vacinas contra a covid-19 que venham a ser registradas pela agência sejam seguras, eficazes e produzidas com qualidade".

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