Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Em crise, Hemorio suspende coleta de sangue no Rio

Medida é decorrência da forte crise financeira no Estado; sem receber salários, funcionários já tinham reduzido horário

Antonio Pita e Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 03h00

RIO - A grave crise financeira do Estado do Rio afetou os serviços do Instituto Estadual de Hematologia (Hemorio), órgão que capta e distribui sangue a pacientes em tratamento em pelo menos 200 unidades da rede estadual. O atendimento no local foi suspenso neste domingo, 10. Os funcionários já tinham reduzido o horário de coleta na última semana, após dois meses sem receber os salários.

De acordo com comunicado do Hemorio, o atendimento foi interrompido em caráter “excepcional”. A previsão é de que o atendimento ocorra normalmente nesta segunda-feira, 11, das 7 horas às 18 horas.

“Contamos com a solidariedade de todos os nossos doadores e da população do Rio”, informa o aviso publicado no site da instituição.

O Hemorio tem cerca de 180 funcionários, dos quais 90% são terceirizados, com salários atrasados. De acordo com o instituto, os próprios médicos e enfermeiros têm feito as funções administrativas, como forma de não interromper o atendimento. Ainda assim, a coleta de sangue teve o horário reduzido desde a última terça. Na semana passada, os empregados tiveram os vales refeição e transporte suspensos. Alguns funcionários relataram não ter dinheiro para chegar ao trabalho.

Na semana passada, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) fiscalizou o instituto e constatou problemas, como a suspensão parcial dos atendimentos e a falta de medicamentos. Segundo o Cremerj, no último dia 2, o atendimento aos doadores já havia sido interrompido. A estrutura do prédio do Hemorio, no centro, também está precária, com infiltrações. O Cremerj estuda denunciar a situação ao Ministério Público Estadual.

Greve. A crise financeira do Estado atinge ainda servidores de outras categorias, que deflagraram greve na semana passada. A paralisação atinge parcialmente 33 categorias, como policiais civis, professores e servidores de órgãos como o Detran e o Instituto Médico-Legal (IML).

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