Em crise, hospital da UnB reabrirá após o carnaval

Após uma reunião ontem com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL), a Universidade de Brasília (UnB) decidiu reabrir depois do carnaval o atendimento no berçário e na maternidade do Hospital Universitário, que haviam sido suspensos na segunda-feira por falta de pediatras. O problema também fez com que a Faculdade de Medicina da instituição paralisasse suas atividades e cogitasse prorrogar a data para matrícula dos novos estudantes, já que eles dependem das instalações e da equipe do hospital para aulas. A solução encontrada no momento foi a Secretaria de Saúde ceder, por tempo indeterminado, seis pediatras para trabalharem 40 horas semanais na pediatria e obstetrícia. Em troca, o hospital fará mais tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas. As primeiras passarão dos atuais 200 exames para 400 mensais e as ressonâncias, dos 600 para 700 por mês. "O governo entendeu que o hospital atende a população de Brasília e decidiu realocar profissionais para suprir nossas necessidades por tempo indeterminado. Com isso, poderemos ter pelo menos um plantonista por período. Será possível reabrir as unidades na segunda-feira após o carnaval", afirmou o vice-reitor da universidade, Edgar Mamiya. Crise Segundo ele, o hospital atravessa uma crise financeira há anos e acumula, atualmente, uma dívida de R$ 30 milhões com fornecedores, água e energia elétrica, entre outros. Com isso, desde 2003 não são feitos concursos públicos para contratar profissionais. "Não conseguimos preencher nosso quadro, e o salário que podemos oferecer não é competitivo, está abaixo do que é oferecido no mercado. Perdemos médicos para outros serviços. E temos de realocar verbas que seriam de custeio para pagamento do quadro de funcionários", explica o vice-reitor. Uma solução definitiva, segundo ele, passaria pela realização de concurso público e por uma mudança na gestão dos Hospitais Universitários, uma demanda de outros dirigentes de instituições do tipo. No ano passado, uma comissão formada por integrantes dos Ministérios da Saúde, da Educação e do Planejamento chegou a se reunir para debater o financiamento desses hospitais, mas o debate não resultou em medidas concretas. Em Brasília, o Hospital Universitário da UnB é referência no atendimento a mulheres com gravidez de alto e médio riscos. Em 2006, foram atendidos 8,2 mil casos de emergência na obstetrícia. Foram feitos 3,4 mil exames de pré-natal e 1,4 mil partos. Além disso, o hospital também abriga 80 residentes de pediatria e 80 de obstetrícia e ginecologia, além dos estudantes da universidade.

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