Em Goiás, secretário de Saúde de Pires do Rio é afastado após furar fila e vacinar a mulher

Ação do Ministério Público de Goiás informa que atitude constitui crimes de abuso de autoridade e prevaricação, uma vez que o secretário confessou que se utilizou do cargo movido por sentimentos pessoais

Isabel Cristina, Especial para o Estadão

23 de janeiro de 2021 | 00h02

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) teve medida cautelar acolhida pelo juiz José dos Reis Pinheiro Lemes, para determinar o afastamento do cargo do secretário municipal de Saúde de Pires do Rio, Assis Silva Filho, por 60 dias. Conforme apurações iniciais, ele determinou a quebra da ordem da vacinação da covid-19 para beneficiar a própria esposa, que não se encaixava no grupo prioritário.

Segundo apurou o MP-GO, inicialmente estariam recebendo a vacina em Pires do Rio apenas profissionais da saúde, pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência, pessoas a partir de 18 anos com deficiência, moradores em residências inclusivas e a população indígena. Porém, explica o promotor de Justiça Marcelo Borges Amaral, autor da medida cautelar, o secretário determinou a vacinação de sua esposa e justificou o ato nas redes sociais dizendo que o fez para “preservar a vida e a saúde da mulher da minha vida”.

Segundo Marcelo Borges Amaral, o ato constitui, supostamente, crimes de abuso de autoridade e prevaricação, uma vez que o secretário confessou que se utilizou do cargo movido por sentimentos pessoais. As investigações prosseguem durante o afastamento de Assis Silva Filho. Também foi instaurado procedimento para apurar possível prática de ato de improbidade administrativa.

O afastamento teve por objetivo impedir que o Assis Silva Filho prejudique as investigações e continue se utilizando do cargo para privilegiar pessoas indevidamente no processo de vacinação da covid-19.

Fura-fila

O município de Pires do Rio, região sudeste de Goiás, recebeu 280 doses para imunizar os grupos prioritários. A prefeitura de Pires do Rio informou que sobre o caso do secretário que providências já estão sendo tomadas e que a apuração dos fatos já está sendo realizada.

O secretário relata que a esposa  tem mais de 70 anos e o acompanha no trabalho que ele faz, visitando muitas vezes as unidades de saúde do município. Porém, não está prevista a vacinação de pessoas idosas que não estejam institucionalizadas nesta primeira fase do programa de imunização da covid-19.

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