Em inquérito, médica diz estar 'tranquila' para matar

Defesa diz que o teor das gravações 'estão fora de contexto e sendo mal interpretadas'

Julio Cesar Lima, Especial para o Estado,

27 de fevereiro de 2013 | 17h55

CURITIBA - As transcrições de gravações feitas pela polícia do Paraná na UTI do Hospital Evangélico, em Curitiba (PR), que resultaram na prisão da médica Virgínia Soares de Souza, no último dia 19, sob a acusação de homicídio qualificado, mostram um diálogo da médica com outro profissional da UTI sobre as condições clínicas de um paciente.

Às 15h29 do dia 24 de janeiro deste ano, Virgínia conversa com um médico de nome Rodolfo e depois de avaliar as condições clínicas fala: "Nós estamos com a cabeça bem tranquila pra assassinar, pra tudo, né!", relata a transcrição da conversa que consta no inquérito e ao qual o Estado teve acesso.

A defesa de Virgínia, no entanto, desqualifica o teor das gravações e alega que elas "estão fora de contexto e algumas estão sendo mal interpretadas". Uma das frases atribuídas a Virgínia tão logo ela foi detida, em que teria falado "quero desentulhar essa UTI que tá me dando coceira", seguida de uma risada, diz respeito ao comentário de um médico, de nome Anderson (o anestesista Anderson de Freitas foi preso no final de semana, mas não há confirmação de que tenha sido ele o autor da frase). O diálogo foi gravado também na tarde do dia 24.

A Polícia, porém, negou, por meio da assessoria, que as gravações tivessem sido realizadas por um agente infiltrado na UTI do hospital. "Havia essa possibilidade, mas optou-se por fazer apenas a interceptação telefônica dos ramais da UTI e nos celulares. Não houve agente policial", informou a assessoria.

Já a defesa da médica deve pedir a prisão da delegada do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), Paula Brisola, caso ela descumpra nova ordem judicial (foram entregues quatro anteriormente) e não entregue a íntegra do inquérito, a totalidade dos áudios e também os prontuários dos pacientes Ivo Spitzner, Paulo José da Silva, Pedro Henrique Nascimento, André Luis Faustino e Luiz Antônio Propst, que morreram entre as dias 24 e 28 de janeiro deste ano e cujas mortes culminaram no pedido de prisão da médica. A defesa pediu há pouco, às 16 horas, o habeas corpus para a médica Virgínia Soares de Souza junto à 1ª Câmara Criminal do TJ-PR.

Trechos de uma das transcrições disponibilizadas:

Dia 24 de janeiro de 2012, 15h29

Rodolfo - Até o Anderson quer conversar com a Dra. aqui

Virgínia - "Esse foi caprichado, né?".

Rodolfo - "Esse foi...quadro clínico bonito, caprichou. Bem na hora que nós estamos tranquilos".

Virgínia - Puta merda Rodolfo!

Rodolfo: Bem na hora que nós estamos tranquilos.

Virgínia : risadas

Rodolfo - Ai, ai,

Virgínia - "Nós estamos com a cabeça bem tranquila para assassinar, para tudo, né?".

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