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Bruno Kelly/Reuters
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No AM, famílias improvisam UTI em casa e grupo de Whatsapp avisa sobre entregas de oxigênio

Com alta procura, preço pelo produto está quase o dobro do que o normal; doentes morrem asfixiados em hospital do interior

Liege Albuquerque, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2021 | 12h00

MANAUS - O avô da servidora pública Priscila Vasques Castro Dantas, o aposentado Francisco José Casal Castro, de 82 anos, está em casa por falta de vaga em hospitais no Amazonas, que viveram colapso na semana passada diante do agravamento da pandemia da covid-19 e da falta de insumos. “Minha avó, infelizmente, piorou e foi entubada no hospital, mas vovô a gente se cotizou para comprar oxigênio, bipap e todo o equipamento necessário para montar quase uma UTI para ele”, contou ela.

A corrida para a compra de oxigênio para quem está sendo tratado em casa é diária. Nos grupos de Whatsapp é avisado quando chegam novos carregamentos em empresas particulares e longas filas se formam. Ninguém reclama do preço, apesar de haver em alguns casos cobrados mais que o dobro de um período normal. “Um cilindro de 3 litros vendido a mil reais está sendo vendido a R$ 4 mil aqui”, diz um vendedor de uma empresa de oxigênio. “Tem gente que chega com vários familiares, vários cartões diferentes e dinheiro trocado, é de cortar o coração”.

Na cidade de Itacoatiara (a 269 quilômetros de Manaus), segundo um médico do hospital José Mendes, há 87 pacientes internados e três intubados. “Revezamos os únicos cilindros durante a noite, mas infelizmente perdemos seis pacientes. Nosso oxigênio disponível só vai até o fim da tarde de hoje”, afirmou. O irmão do vendedor Joelyson Oliveira está internado há três dias no hospital de Itacoatiara. “Nos revezamos na frente do hospital para saber notícias, é um desespero quando o médico aparece na porta todo dia, sempre tem notícia ruim”.

Em Manaus, quem conseguiu ser transferido para outros estados sem falta de oxigênio comemora. “Meu pai esperava na ante-sala do 28 de Agosto quando, graças a Deus, foi abordado com a proposta de ser transferido para o Piauí e aceitou. Tenho notícias, ele fala comigo rapidinho pelo Whastapp, está toda hora no oxigênio, mas lúcido. Todo dia uma psicóloga ou assistente social me liga, tenho boletins, é um tratamento muito humano”, conta a veterinária Sabrina Souza, também com Covid, mas se tratando em casa.  

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