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Bruno Kelly/ Reuters
Bruno Kelly/ Reuters

Em Manaus, profissionais da saúde têm preocupação com próximos dias: 'E se acabar O2 de novo?'

Médicos e enfermeiros relatam preocupação já que a quantidade de oxigênio reunida para conter o esgotamento é apenas emergencial

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 22h13

SÃO PAULO - O colapso do sistema de saúde de Manaus, cidade que nesta quinta-feira assistiu à morte de pacientes com covid-19 por falta de oxigênio, pode assistir às mesmas cenas de desespero em breve. Profissionais da saúde da capital amazonense ouvidos pelo Estadão/Broadcast têm preocupação com os próximos dias, já que a quantidade de oxigênio reunida para conter o esgotamento de hoje é apenas emergencial.

"Ninguém passa informação. Não sabemos quando vai chegar o oxigênio, a que horas, e quanto. Hoje foi um caos. Não ficamos sabendo com antecedência que o oxigênio estava no fim. E se acabar de novo? É um sentimento de impotência, de querer ajudar e não poder", relatou à reportagem uma médica que preferiu não se identificar. "Eram pacientes que poderiam manter o tratamento, lutar e vencer a covid-19. Mas, hoje, nós da saúde ficamos incapacitados", completou.

O técnico de enfermagem do Estado do Amazonas Marcílio Matos lembra que há pacientes morrendo nos corredores dos hospitais e unidades de saúde de Manaus, situação que deve se agravar caso o contingente de oxigênio se esgote novamente. Sem o insumo, as equipes de saúde precisam recorrer à ventilação mecânica, menos eficaz e altamente exaustiva. "É uma guerra que ninguém sabe quando vai terminar. Só a ajuda divina para nos proteger", diz Matos.

O governo brasileiro pediu um avião aos Estados Unidos para tentar socorrer a rede de saúde do Estado. Segundo o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), não há aeronaves para transportar cilindros de oxigênio às unidades que precisam.

A estudante Paloma Aquino, cidadã manauara, está com a mãe e o pai doentes. "A gente entra nas redes sociais é só mensagem de luto. Muito familiar conhecido morrendo", contou ao Broadcast. "Há 15 dias, a população daqui estava nas ruas protestando pela abertura do comércio. Teve manifestação contra o uso de máscaras", completou.

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