Divulgação/Governo de São Paulo
Divulgação/Governo de São Paulo

Em meio a abertura, São Paulo projeta chegar a 265 mil casos de covid-19 até o fim do mês

Número é mais do que o dobro do total de casos registrado no Estado atualmente; Estado diz que Plano São Paulo prevê dar conta desta demanda

Bruno Ribeiro, Marina Aragão e Paloma Cotes, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2020 | 13h31

O governo João Doria (PSDB) divulgou nesta quarta-feira, 3, uma projeção sobre a evolução da pandemia de coronavírus no mês de junho no Estado de São Paulo. Os dados apontam que o número total de infectados pode mais do que dobrar até o próximo dia 30, e poderá ficar entre 190 mil e 265 mil casos, ante os atuais 123 mil casos. Segundo o vice-governador, Rodrigo Garcia (DEM), o processo de reabertura parcial de algumas regiões do Estado, chamado Plano São Paulo, foi feito levando em conta essas projeções. 

"Não há surpresa nos números apresentados e eles fazem parte desse planejamento na área da Saúde", disse Garcia, ao afirmar que a as ações de reabertura já consideraram o impacto que esses novos casos trarão ao sistema de saúde do Estado. 

Segundo o governo, em abril o total de casos da doença cresceu dez vezes, passando de 2.981 para mais de 30 mil casos. Já em maio, o aumento foi menor, de três vezes, crescendo de 30 mil para cerca de 118 mil casos. As projeções da área da saúde, segundo Garcia, é de que doença ainda cresça entre 1,7 vez e 2,4 vezes até 30 de junho.

Ao tratar do plano, a secretária de Desenvolvimento Econômico e Social, Patrícia Ellen, afirmou que o Estado deverá estar preparado para uma alternância entre movimentos de maior abertura comercial e momentos em que será preciso regredir, voltando a adotar medidas mais severas de distanciamento social, para garantir a abertura segura. 

"Conforme a evolução das regiões, é possível que as medidas restritivas passem a ser menores, mas é possível acontecer o contrário e haver um endurecimento da restrição. A etapa de transição precisa dessa consciência", afirmou Patrícia.

Na apresentação feita nesta quarta, Patrícia indicou que, na próxima semana, 12 regiões do Estado deverão ter a mesma classificação (entre vermelha, laranja, amarela, verde e azul) que obtiveram nesta semana. Duas regiões, de Bauru e Barretos, que estão na fase amarela (que permite reabertura parcial de atividades), devem regredir para a fase laranja (que também permite reabertura, mas ainda mais restritiva). Já as regiões de Registro, Taubaté e a Baixada Santista, que estão na fase vermelha (só permite funcionamento de atividades essenciais), devem evoluir na próxima semana para a fase laranja.

Doria destacou que o Ministério Público Estadual será acionado para tomar medidas contra prefeitos do interior do Estado que resolverem adotar medidas de liberação que sejam diferentes daquelas previstas no plano.

"A gente já tinha relatos de decumprimento antes do plano. A população sabe agora de forma mais clara quais os protocolos. Então, a gente espera que as denúncias aumentem. O incentivo não é passar de fase. Isso aqui não é um jogo. Estamos falando de proteção de vidas e de retomar a economia de forma sustentável. Então, é preciso estar na fase correta", afirmou Patrícia. 

Reabertura na capital

Presente na coletiva, o prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB), destacou um dos índices que é avaliado para a classificação de uma região: a ocupação dos leitos de UTI. Ele ressaltou que, pelo segundo dia, a taxa está abaixo dos 70%, o que colocaria a cidade na fase amarela. "A preocupação é que a gente não retroceda e não volte a crescer em números de solicitação de UTI em São Paulo. O Estado elencou as regiões e, para todos os indicadores, estamos na fase 2 (laranja) ou na fase 3 (amarela) e pra alguns a cidade de São Paulo já está na fase 4 (verde)", disse Covas.

"Como os critérios do Estado são os mais restritivos, o município está classificado na fase dois. Por conta da taxa de ocupação nos últimos sete dias, se mantiver em 62%, 63%, vamos para a fase amarela na cidade de São Paulo. A quarentena continua na cidade de São Paulo, como continua no Estado. Estamos falando da fase dois quarentena, da saída da quarentena. Não queremos voltar pra fase 1. Queremos avançar pra fase 3, 4 e 5."

A Prefeitura de São Paulo está recebendo as propostas de entidades setoriais e avaliando a reabertura diante dos protocolos. "O prazo do dia 15 é o prazo que o município replicou do decreto estadual. Isso não tem relação com entrar ou não na fase 2 da quarentena. O Município está na fase 2, recebendo os protocolos e vai consultar a Vigilância Sanitária e, com esse ok, pode reabrir. Isso pode acontecer antes ou depois do dia 15", disse Covas. Na fase dois, é possível reabrir, com restrições, escritórios, o comércio de rua, shoppings centers, concessionárias e imobiliárias.

O governador abriu a entrevista coletiva, que ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital, dizendo que "não há liberou geral" no Estado, em uma referência ao Plano São Paulo, dizendo que "a retomada da economia vai ser feita de forma segura e sensível". A quarentena do Estado tem validade até o dia 15 deste mês. 

Sem ser questionado sobre isso, falou que "não há pressão" vinda nem de prefeitos, nem de parlamentares nem de empresários para acelerar a reabertura.

Mortes superam os 8 mil casos

O Estado de São Paulo, que concentra o maior número de mortes e casos confirmados no País, registrou mais 282 mortes nas últimas 24 horas, fazendo o total de óbitos por covid-19 chegar a 8.276. Os casos confirmados variaram de 118.295 para 123.483

O Estado havia atingido nesta terça-feira o recorde do número de mortes e também de infecções confirmadas em um único dia.  O secretário executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, negou que o dado indique aceleração da doença. "Não está havendo nenhuma evidência de aceleração no número de óbitos. As informações no fim de semana se acumulam um pouco para as terças-feiras", disse.

Na coletiva, o governador disse ainda que o Estado fez um acordo com as concessionárias de água, gás e energia para evitar o corte do fornecimento desses serviços até 31 de julho, mesmo para clientes inadimplentes. É uma ação focada na população de baixa renda que foi feita, segundo Doria, por meio de um acordo com as empresas. “Não há imposição, há entendimento”, afirmou o governador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.