Em MG, cerca de 80% dos que atendem pelo SUS aderiram à paralisação

Atendimento deve ser normalizado hoje, segundo entidade

25 de outubro de 2011 | 17h51

Pacientes que buscaram atendimento médico em alguns postos de saúde de Belo Horizonte ontem, 24, voltaram para casa frustrados. Segundo entidades representativas dos médicos em Minas Gerais, cerca de 80% da categoria que faz atendimento pelo Serviço Único de Saúde (SUS) no Estado aderiu à paralisação nacional realizada ontem para cobrar melhores condições de trabalho.

 

Em Minas, segundo a Associação Médica (AMMG), há aproximadamente 37 mil médicos, sendo que 27 mil fazem algum tipo de atendimento na saúde pública.

 

A comerciante Fabiana Rosa Silva, de 27 anos, foi uma das pessoas que tiveram que voltar para casa sem atendimento. Ela reclamava de dores nas costas e saiu de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para tentar uma consulta no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na capital, mas a unidade fez apenas atendimentos de urgência durante todo o dia. Algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade funcionaram, mas com equipe bastante reduzida.

 

Além da paralisação, médicos mineiros também promoveram um ato público em frente à Assembleia Legislativa do Estado, onde foi realizada uma audiência pública conjunta das comissões de Defesa do Consumidor e de Saúde para discutir a questão. Segundo o presidente da AMMG, Lincoln Lopes Ferreira, o objetivo da paralisação e do ato foi sensibilizar a população para a falta de investimento no setor. "Nossa reivindicações são as mesmas dos cidadãos em geral. A ideia é que a população entenda o protesto e passe a pressionar gestores por aumento do investimento no setor", afirmou.

 

De acordo com o profissional, apenas 480 dos 5.565 municípios brasileiros têm leito de Centro de Terapia Intensiva (CTI), proporção que, segundo a AMMG, se repete em Minas Gerais. "Em um País com a dimensão continental do Brasil tem grandes áreas desassistidas. As pessoas têm que se deslocar por enormes distâncias para serem atendidas", observou.

 

Além disso, os médicos reivindicam aumento na tabela do SUS, que, ainda segundo Ferreira, paga R$ 2,50 por uma consulta básica, R$ 7 por uma consulta especializada e R$ 14 por uma cirurgia de amígdala, por exemplo. "Para formar um médico leva-se aproximadamente 10 anos e o custo chega a R$ 1 milhão com mensalidades, livros, equipamentos. Há um subfinanciamento do setor público e nenhum incentivo para os profissionais", salientou.

 

Um desses incentivos, para Ferreira, seria a aprovação imediata da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 454/09, que cria a carreira de médico do Estado. "Hoje, colegas especialistas têm ausência total de incentivo para trabalhar em cidades menores, por exemplo, porque ficam à mercê dos humores da política local. A pessoa faz a mudança, investe na vida naquele local, tem gastos e depois pode ser mandado embora porque mudou o prefeito", observou. Segundo Ferreira, hoje o atendimento será normalizado.

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